Carteiras atribuídas à Binance enviaram bilhões de dólares em criptomoedas para um endereço recém-criado nesta quinta-feira (29). Pesquisadores passaram a suspeitar de invasão à maior plataforma de criptomoedas do mundo. A Binance disse no X que investiga um possível problema de segurança e, depois, afirmou que os fundos dos usuários estão completamente seguros. A empresa não chamou o caso de ataque nem informou valores.
O que disse a Binance?
Por volta das 18h15 (de Brasília), a exchange informou que suas equipes investigavam um “possível problema de segurança” e que não havia confirmado impacto sobre os fundos dos usuários, segundo o site Unchained. Cerca de 15 minutos depois, revisou a mensagem e disse que os fundos dos usuários estão “completamente seguros”.
A cofundadora Yi He também publicou que a empresa está ciente dos relatos e investiga o caso, e pediu que os clientes desconfiem de links e mensagens não oficiais, de acordo com o The Block.
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O alerta partiu do pesquisador de segurança blockchain Spreek, que publicou: “Unconfirmed, but possibly massive binance hack” (não confirmado, mas possivelmente um hack massivo da Binance). Ele próprio deixou claro que a hipótese não estava confirmada.
O que mostram os registros da blockchain?
Segundo registros analisados pelo BeInCrypto, uma transferência às 17h24 (horário de Brasília) saiu de um endereço identificado como Binance 14. Foram cerca de 167.464 ETH, avaliados em US$ 388 milhões, além de dezenas de tokens ERC-20, entre eles cerca de US$ 1,6 bilhão em USDT.
Cerca de 24 segundos depois, a carteira Binance 16 enviou mais 28.005 ETH para o mesmo destino. O endereço também teria recebido cerca de 780 milhões de USDC da carteira Binance 34.
Spreek apontou ainda o possível uso do Tornado Cash, serviço que dificulta o rastreamento de transações. Segundo ele, uma das chamadas de contrato foi financiada com recursos vindos do serviço.
Qual é o tamanho do prejuízo?
Ainda não se sabe. Circularam estimativas de US$ 2,77 bilhões em movimentações envolvendo carteiras da Binance em diferentes redes. O BitNotícias informa, porém, que esses valores não foram conferidos de forma independente e não podem ser tratados como prejuízo efetivo.
Há dois motivos para cautela: a soma pode contar duas vezes os mesmos ativos, que passam por transferências sucessivas, e parte do dinheiro pode ter apenas mudado de endereço dentro da própria exchange.
A Binance havia anunciado uma manutenção em carteiras da rede Ethereum para quarta-feira (28), um dia antes das transferências suspeitas. Não há confirmação de ligação entre uma coisa e outra.
O que diz a mensagem atribuída a CZ?
Circula nas redes a captura de tela de uma publicação atribuída a Changpeng Zhao, o CZ, fundador e ex-CEO da Binance. O texto afirma que “It does look like a hack on Binance” e diz “User funds are safe!” (os fundos dos usuários estão seguros).
A mensagem cita o congelamento de cerca de US$ 1,794 bilhão em stablecoins: US$ 971 milhões em USDT, pela Tether, e US$ 823 milhões em USDC, pela Circle. O BitNotícias disse não ter conseguido confirmar de forma independente a autenticidade da postagem. O site também não localizou declaração oficial da Binance que reconheça a invasão ou os valores.
O texto diz ainda que CZ não administra mais a Binance.com e que, como acionista, espera que os usuários sejam integralmente cobertos. É uma expectativa pessoal, não um anúncio de compensação, de reservas adicionais ou de uso do fundo de proteção da exchange.
O que se sabe sobre os clientes?
Além da afirmação de que os fundos estão seguros, a Binance não detalhou a situação dos clientes. O presidente da Tether, Paolo Ardoino, disse que a empresa congelou mais de 1,567 bilhão de USDT, segundo o The Block. O congelamento de stablecoins, se ocorreu, não significa que os valores voltaram à exchange: as emissoras conseguem barrar determinadas transferências de seus tokens, mas isso não devolve os ativos aos titulares. A CoinDesk, em título publicado nesta quinta, trata o caso como um potencial hack bilionário com reflexos nos mercados de cripto.
No Brasil, a Binance protocolou no Banco Central, na sexta-feira (23), um pedido de licença para atuar como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais. O pedido foi feito pela BBrasil, empresa recém-criada no grupo, segundo o Valor Econômico. As regras citadas na reportagem exigem segregação patrimonial, contas individualizadas e custódia dos ativos em entidade reconhecida pelo BC. Não há indicação de ligação entre as transferências desta quinta e clientes brasileiros.
A confirmação de um ataque e do valor envolvido ainda depende de manifestação da Binance.
Atualização (29/10, 19h40): a matéria passou a incluir as declarações da Binance e da Tether publicadas depois das 18h.



