O dólar fechou a segunda-feira (26) a R$ 5,4066, na maior alta diária em 23 anos, segundo a Reuters. A moeda reagiu à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25), que contrariou a expectativa do mercado por uma troca de governo. De acordo com a Jovem Pan, a valorização do dólar foi de 8%.
A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) também sentiu o impacto. O Ibovespa acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações, e fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, o menor nível desde 31 de agosto, segundo a Jovem Pan.
Por que a Bolsa parou?
O circuit breaker é um dispositivo de segurança da B3. Quando o Ibovespa despenca, as negociações são interrompidas por um tempo, para frear movimentos de pânico e dar espaço aos investidores para rever suas decisões, explicou o g1.
A queda na mínima do dia teve medidas diferentes nas fontes: o g1 registrou recuo de 16,48%, e a Jovem Pan, de mais de 17%. Ao longo do pregão, o índice se afastou do pior momento e terminou com perda menor.
O mecanismo não era acionado desde 2020, no início da pandemia de Covid-19, quando funcionou seis vezes. Em 18 de maio de 2017, no episódio conhecido como “Joesley Day”, a Bolsa parou por 30 minutos e fechou com queda de 8,8%.
O que o mercado esperava?
Segundo o especialista em renda variável da AVIN Heitor de Nicola, o mercado tinha se baseado no resultado do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro (PL) liderou, para montar posições de compra. “Nunca na história havia tido uma virada; sempre quem liderava o primeiro turno era eleito”, afirmou.
Foram negociados R$ 88,6 bilhões na sessão, mais de três vezes a média diária de cerca de R$ 25 bilhões. Com a queda, o Ibovespa apagou os ganhos de outubro e passou a acumular recuo de 5,22% no mês. No ano, a alta diminuiu para 9,61%.
Como ficaram juros e ações?
As taxas de juros futuros subiram 250 pontos-base, o equivalente a 2,5 pontos percentuais. As ações ligadas à economia doméstica lideraram as perdas: Magazine Luiza caiu 58,23%. Exportadoras, que ganham com o dólar mais caro, subiram, como a Suzano, com alta de 10%.
Quem pode comandar a Fazenda?
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), aparece como principal nome para o Ministério da Fazenda, segundo apurou o Broadcast Político. O Estadão também cita o vice-presidente Geraldo Alckmin como possibilidade. Nenhum dos dois foi confirmado, e, de acordo com a Jovem Pan, as apurações ainda não chegaram a influenciar os preços.
O analista da AGF Pedro Galdi avalia que o ganho acumulado durante o período eleitoral se esgotou. Para ele, novas quedas ainda podem ocorrer nos próximos pregões se o governo não sinalizar uma equipe coerente e uma “nova postura em relação a gastos públicos, metas de inflação, reformas e relacionamento internacional”.
O estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, disse que Fonteles é um excelente nome, mas apontou o risco de “repetir Haddad no final de 2024”, quando anúncios foram feitos e não foram entregues.
Operadores dizem aguardar a confirmação da equipe econômica e, principalmente, o quanto esses nomes poderão fazer em termos de ajuste fiscal.



