O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, disse à Polícia Federal (PF) que houve demora da fiscalização em entregar análises sobre o Banco Master. Ele foi ouvido como testemunha, por videochamada, na manhã de terça-feira (6).
O Valor Econômico teve acesso à transcrição do depoimento, cujos trechos foram antecipados pelo jornal O Estado de S. Paulo. A CNN Brasil também confirmou o conteúdo. A CNN registra que Galípolo falou em “demora injustificada” dos servidores.
O que Galípolo disse sobre as reuniões
Segundo a transcrição, Galípolo afirmou que “esgotou seu repertório de palavrões” em reuniões com a equipe. Ele descreveu dois encontros longos, com mais de uma dezena de pessoas, entre elas toda a diretoria.
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De acordo com o presidente do BC, as análises cobradas eram claras em termos contábeis e matemáticos, mas não chegavam. Entre elas estava a análise do balanço do banco.
Sobre o comunicado ao Ministério Público a respeito das fraudes, Galípolo usou a expressão “processo de parto a fórceps”. Segundo a CNN, ele disse que foi preciso voltar ao tema, cobrar e se exaltar para que o documento saísse.

Equipe paralela e o negócio com o BRB
Galípolo afirmou que só foi informado das inconsistências na carteira do Master em 2025, pelo diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino. Depois disso, passou a pedir mais dados sobre as carteiras de crédito que o Master vendia ao BRB.
Ele também designou uma equipe paralela, porque, segundo explicou, era preciso ter “outros olhos” sobre o caso.
Segundo Galípolo, Paulo Sérgio considerou suficientes algumas explicações dadas pelo Master, o que gerou desconfiança. Na avaliação da compra do banco pelo BRB, houve embates com Paulo Sérgio, que se opunha ao veto à operação. Belline Santana, disse ele, tentou produzir relatórios de competência de outro departamento, o que “soou como comportamento exótico”.
Quem são os servidores investigados?
A PF apura a conduta de Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que atuavam na fiscalização do Master. A CNN grafa o primeiro nome como Bellini e os descreve como ex-ocupantes de cargos de chefia.
Segundo o Valor, os dois receberam dinheiro de Daniel Vorcaro. As investigações apontam que atuavam, na prática, como “consultores informais” do banqueiro e teriam agido a favor dos interesses dele no BC. Os trechos divulgados não trazem a manifestação da defesa dos dois.

Eles foram alvo de buscas e afastados dos cargos por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O que diz o ex-servidor sobre Galípolo?
A PF quis ouvir Galípolo depois que Paulo Sérgio Neves de Souza o citou em depoimento. Souza acusou Aquino de “omissão”. Segundo ele, em setembro de 2024, quando Galípolo passava pela sabatina no Congresso, Aquino teria dito para ele “jogar parado” e que o problema do Master seria resolvido quando Galípolo assumisse.
Souza também afirmou que, no fim de julho de 2025, Galípolo disse que não faria a comunicação ao Ministério Público por gestão temerária, já que a informação interna apontava fraude na carteira. Galípolo respondeu que era ele quem cobrava da equipe o fato de as suspeitas não terem sido comunicadas. Os trechos divulgados não trazem a posição de Aquino.
Onde está Vorcaro agora?
Segundo a Revista Oeste, Vorcaro está preso desde março deste ano no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. A publicação diz que ele negocia um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A revista, citando a coluna F5, da Folha de S.Paulo, também informa que intermediários dele conversam com a TV Globo e a TV Record sobre uma entrevista. Ela só poderá ocorrer com autorização judicial.



