As ações da WEG (WEGE3) caíam 4,67% nesta quarta-feira (21), cotadas a R$ 46,51 às 10h11, e registravam a maior queda do Ibovespa na sessão. O movimento veio após o balanço do terceiro trimestre de 2026, que trouxe lucro líquido de R$ 1,665 bilhão, 0,9% acima do mesmo período de 2025, segundo o InfoMoney.
A fabricante cresceu em receita e em Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), com o mercado externo à frente. O ponto fraco foi a margem, que ficou abaixo do que parte dos analistas esperava.
Quais foram os números do trimestre?
- Receita operacional líquida: R$ 10,86 bilhões, alta de 5,7%;
- Ebitda: R$ 2,345 bilhões, avanço de 3,1%;
- Margem Ebitda: 21,6%, 0,6 ponto percentual abaixo do 3º tri de 2025;
- Margem bruta: 32,9%;
- Investimentos: R$ 950,4 milhões, o maior volume em sete trimestres, com a maior parte destinada à expansão internacional.
A empresa encerrou setembro com caixa líquido de R$ 2,54 bilhões e retorno sobre o capital investido (ROIC) de 33,2%, patamar que os analistas ainda consideram elevado, segundo o InfoMoney.
Por que a margem decepcionou?
De acordo com o InfoMoney, o recuo da rentabilidade foi atribuído ao custo maior das matérias-primas, em especial o cobre, às tarifas de importação nos Estados Unidos e a gastos adicionais com pessoal, ligados às fábricas novas que entram em operação. A companhia também segue com impacto negativo da valorização do real sobre as receitas obtidas no exterior.
O JPMorgan classificou o resultado como mais fraco que o esperado. Segundo o banco, a margem Ebitda ficou 0,5 ponto percentual abaixo de suas projeções e 0,4 ponto abaixo do consenso de mercado, o menor patamar desde o primeiro trimestre de 2025.
O Goldman Sachs avaliou que os números ficaram praticamente em linha com as expectativas. Para o banco, o câmbio continua sendo obstáculo ao crescimento reportado: cerca de 60% das receitas da WEG são geradas fora do Brasil, e a apreciação do real frente ao dólar retirou aproximadamente quatro pontos percentuais do crescimento potencial da receita no trimestre.
O que puxou a receita?
As vendas no exterior avançaram 8,3% em reais e 14,8% em dólares. Com isso, o mercado internacional respondeu por 62,5% da receita consolidada, a maior fatia já registrada pela companhia. A América do Norte foi o principal motor, com receitas 31,1% maiores em dólares, beneficiadas pela procura por transformadores de redes elétricas e por geradores usados em data centers.
No Brasil, a receita cresceu 1,8% na comparação anual, em ritmo mais moderado. Entregas de projetos de ciclo longo em transmissão, distribuição de energia e automação industrial sustentaram o resultado. Os segmentos de ciclo curto desaceleraram, em meio a uma atividade industrial mais fraca e ao adiamento de investimentos por clientes locais, segundo o InfoMoney.
O Bradesco BBI avaliou os números como ligeiramente positivos. Sem os efeitos de câmbio e de aquisições, a receita cresceu cerca de 9% no trimestre, ante 5% no segundo. O banco avalia que a capacidade nova de produção de transformadores nos Estados Unidos, no México e na Colômbia deve acelerar a receita e melhorar aos poucos o mix de produtos, o que favoreceria a rentabilidade.
A cotação citada é a das 10h11 e pode ter mudado ao longo do pregão.



