Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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Mendonça diz que minuta sobre canais de WhatsApp não é iniciativa individual

Rascunho barraria canais políticos com mais de 200 mil inscritos nas 48 horas antes da eleição. Folha e Valor apontam divergências na corte, e a norma não foi votada.

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Resumo rápido

  • Minuta do TSE barraria canais políticos de WhatsApp com mais de 200 mil usuários nas 48 horas antes da votação
  • Mendonça diz que o texto foi elaborado por decisão conjunta e ainda depende de votação do colegiado
  • Folha apurou que o consenso era só para novos canais; Kassio Nunes Marques se distanciou do texto

O ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse em nota nesta quarta-feira (21) que a minuta que restringe canais políticos de WhatsApp perto da votação não foi iniciativa individual. Segundo ele, o texto ainda está em deliberação e depende de votação do colegiado. O segundo turno da eleição é no domingo (25).

A minuta foi revelada pela Folha de S.Paulo. O rascunho de resolução bloquearia canais com mais de 200 mil usuários nas 48 horas anteriores à eleição.

O que prevê a minuta

Segundo o Valor Econômico, o texto equipara canais de transmissão de caráter político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores a conteúdos impulsionados, ou seja, impulsionados com dinheiro. A justificativa é que esses canais podem interferir no alcance da propaganda. Hoje a legislação já proíbe propaganda eleitoral paga ou impulsionada desde 48 horas antes até 24 horas depois da votação em cada turno, mas, de acordo com o Valor, não existe equiparação entre canais e impulsionamento.

Leia também: Renata Lo Prete é elogiada após sabatina com Lula; Globo não comenta relato sobre seu futuro · Cadu de Lula tem 42% e Allyson Bezerra, 45% no 2º turno do RN, diz pesquisa

O rascunho também afirma que esse intervalo concentra o maior risco de dano irreversível à formação livre da vontade do eleitorado, porque não há tempo hábil para resposta, esclarecimento ou decisão judicial.

Quais canais seriam atingidos

Pelo critério de 200 mil inscritos, o principal alvo seria o Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que tem mais de 7 milhões de integrantes. O Valor o descreve como um trunfo da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma eventual virada.

O Tropa do Flávio, canal de apoio a Flávio Bolsonaro, também entraria na regra. Ele tem 2 milhões de inscritos, segundo a Folha, com engajamento menor que o do canal de Janones.

A campanha de Flávio Bolsonaro já apresentou várias representações ao TSE pedindo a derrubada do canal de Janones. Segundo a Folha, o canal já foi alvo de decisão do presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, mas voltou ao ar.

O que dizem Mendonça e Kassio

Na nota, Mendonça afirmou que, por decisão conjunta, coube a ele redigir o texto, que seria submetido a todos os ministros. Disse ainda que houve reuniões prévias e “consenso entre todos os ministros sobre a necessidade de tratar do assunto”.

O gabinete dele sustentou que os critérios são “objetivos e impessoais” e valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, “qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política”.

A Folha ouviu integrantes da corte e apurou que o consenso se limitava a novos canais. Segundo a reportagem, não haveria apoio para proibir os que já existem.

Kassio disse à Folha que não é a favor de alterar resoluções eleitorais às vésperas da eleição. Ele se distanciou da minuta, que atribuiu a Mendonça, mas afirmou que o conteúdo teria sido discutido com os demais ministros. O Valor relata que, em conversas com auxiliares, ele não descartou a suspensão dos grupos e disse que a corte vai refletir sobre “ideias” para os canais.

A crítica de especialistas

O advogado Jonatas Moreth, especialista em direito eleitoral, disse ao Valor que a proposta tem um “cavalo de pau” na conclusão. Para ele, ao equiparar grupos orgânicos ao impulsionamento, a norma acabaria proibindo campanha nesses canais. Ele também a chamou de iniciativa “autoritária”.

Moreth afirmou que há “diferença abissal” entre as duas formas de mobilização. No impulsionamento, segundo ele, o que faz crescer é o dinheiro. Os grupos de WhatsApp, diz, são orgânicos e se formam por adesão voluntária.

Segundo o Valor, a minuta foi discutida pelos ministros na noite de terça-feira (20), antes da sessão plenária. De acordo com a nota de Mendonça, o texto ainda depende de votação do colegiado.

Correção (21/10, 13:25): uma versão anterior dava a entender que o TSE votaria a minuta no domingo (25); domingo é o dia do segundo turno, e a data de votação da minuta não foi informada.

Fontes consultadas

Folha de S.Paulo — Mendonça diz que minuta bloqueando canais não foi iniciativa individual e será analisada pelo TSE Valor Econômico — Proposta para barrar canais equipara conteúdo orgânico no WhatsApp a impulsionamento UOL — Mendonça, sobre restrição a canais políticos: 'Não é iniciativa individual'

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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