A Polícia Civil apreendeu uma pistola e 40 munições na casa de um policial da reserva em Porto Alegre, no sábado (24). A busca ocorreu numa investigação por ameaça com arma de fogo, aberta depois de uma briga por uma bandeira de apoio ao presidente Lula.
O episódio aconteceu na noite de sexta-feira (23), num prédio do Centro Histórico, enquanto passava o debate presidencial da TV Globo entre Lula e Flávio Bolsonaro. O segundo turno da eleição está marcado para este domingo (25).
O que dizem as moradoras
Raphaela de Souza, de 29 anos, contou que assistia ao debate com a esposa, Júlia Campos, quando o vizinho do andar de baixo puxou a bandeira exposta na janela. As duas desceram até o apartamento dele para pedir o objeto de volta. Segundo o relato, ele as recebeu com a arma engatilhada.
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Júlia filmou parte do encontro. Nas imagens divulgadas pelo G1, a porta se abre e o homem aparece segurando uma arma.
Raphaela disse que mora no prédio há cerca de quatro meses e que não havia sofrido intimidação antes. Afirmou, porém, que o fato de serem um casal LGBT teria provocado desconforto e comentários de outros moradores. O condomínio não se manifestou.
Ela e a esposa estão agora na casa de parentes. “A gente não tem segurança nenhuma”, disse Raphaela.

O que diz o vizinho
O morador, Gilberto Scapin, de 58 anos, admite que abriu a porta com a arma na mão, mas nega ameaça. “Em momento nenhum eu fiz ameaça. Foi simplesmente abrir a porta armado”, afirmou ao G1.
Segundo ele, pediu silêncio por causa do horário, e o barulho de panelas aumentou. Ele diz que a haste da bandeira batia na janela aberta do seu apartamento, então puxou o objeto e o largou. Afirma ainda que as vizinhas passaram a ameaçá-lo. Como policial da reserva, tem porte de arma e apresentou os documentos aos policiais que atenderam a chamada.
A patente aparece de formas diferentes na imprensa. O G1 o descreve como tenente-coronel da reserva, o Bairrista como tenente da reserva e a GZH como policial da reserva.
Como a polícia atuou
A Brigada Militar foi ao prédio e registrou um termo circunstanciado de ocorrência (TCO), registro simplificado usado para crimes de menor potencial ofensivo. A corporação informou que o morador confirmou ter aberto a porta armado e mostrou a documentação da arma.
Segundo o Bairrista, que cita vídeos obtidos pelo UOL, o morador foi ouvido dentro do próprio apartamento e não foi levado à delegacia. Ainda de acordo com o site, advogados das moradoras pediram a condução, e o pedido foi negado.
Na madrugada de sábado, Raphaela registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e pediu medida protetiva para ela, a esposa e o filho. A Delegacia da Mulher informou que o pedido foi deferido e que a medida está em vigor. O número do processo e o prazo da medida não foram informados.
A investigação está a cargo da 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Porto Alegre, sob coordenação da delegada Thaís Dequech. O Bairrista informou que o Ministério Público não detalhou o andamento do caso.



