A Reitoria da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) divulgou um comunicado em que pede respeito e diálogo nos câmpus de Curitiba. O texto, datado de 30 de outubro de 2026, trata de episódios de hostilidade motivados por divergências políticas dentro da instituição.
Na nota, a Reitoria afirma: “Nenhuma divergência ideológica ou partidária justifica ameaças, humilhações, discriminações, intimidações, agressões ou quaisquer outras formas de violência física ou simbólica”.
O que aconteceu com a bandeira do PT
O comunicado veio depois da repercussão de um caso envolvendo um estudante de Agronomia. A bandeira pertencia ao Centro Acadêmico de Agronomia Roseli Salles. De acordo com a nota de repúdio do centro acadêmico, o aluno entrou no espaço do Centro Acadêmico de Ciências Biológicas na manhã de terça-feira (27), pediu para tirar uma foto com o símbolo político e foi embora levando a bandeira.
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Ainda segundo a nota, o estudante gravou, na área externa da universidade, um vídeo em que rasga o material e tenta atear fogo nele. O Centro Acadêmico repudiou a ação e afirmou que o comportamento do aluno não representa a comunidade universitária.
A PUCPR informou que abriu um processo investigativo interno e encaminhou o caso à coordenação do curso, para apurar as medidas administrativas cabíveis. A universidade não divulgou resultado dessa apuração.
Quais limites a universidade fixa
A Reitoria diz que a pluralidade de perspectivas e a busca pela verdade fazem parte da missão educativa da PUCPR. Afirma também que defende a liberdade de expressão e o pensamento crítico e incentiva o debate de ideias, inclusive a divergência fundamentada.
O comunicado lista três princípios para a convivência acadêmica:
- liberdade de expressão e pensamento crítico;
- respeito mútuo e integridade da pessoa humana;
- responsabilidade com a verdade e a convivência democrática.
Diretórios, centros acadêmicos, estudantes, professores e gestores são convocados a contribuir para uma cultura de respeito em salas de aula, corredores e ambientes digitais. “Desentendimentos acalorados não serão solucionados pelo silenciamento do debate, mas pela elevação do nível da escuta”, afirma a Reitoria.
O caso de Medicina em Maringá
Em Maringá, no Norte do Paraná, outra universidade privada lidou com um episódio ligado ao clima político. A UniCesumar informou ao g1, neste sábado (31), que concluiu em 30 de outubro uma sindicância interna sobre mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp de alunos de Medicina.
As mensagens foram enviadas no domingo (25), depois do resultado das eleições de 2026, segundo o g1. Elas continham ataques a colegas que ingressaram por programas sociais, como o ProUni (Programa Universidade para Todos), e imagens e expressões associadas ao nazismo.
A Reitoria da UniCesumar aplicou medidas previstas no Regimento Interno: desligamentos, advertências e suspensões, conforme a gravidade de cada conduta. A instituição disse que não vai informar quantos alunos receberam cada punição.
O Ministério Público Federal (MPF) confirmou que recebeu denúncia sobre as mensagens e apura o caso. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) afirmou que as atitudes contrariam o Código de Ética do Estudante de Medicina.
A UniCesumar informou que o Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) segue à disposição dos alunos para acolhimento e orientação, pelos telefones (44) 99122-3957 e (44) 3027-6360, ramal 2870.



