Eliminado nos pênaltis, o Flamengo tenta chegar à final da Libertadores pelo tribunal. O clube apresentou à Conmebol uma reclamação contra a escalação do zagueiro argentino Marcos Rojo, que defendeu o Estudiantes no jogo de volta da semifinal, na quinta-feira (22), no Maracanã, e pede que o time de La Plata seja declarado derrotado por 3 a 0.
Por enquanto, nada mudou na tabela. A vaga continua com o Estudiantes, e a decisão contra o Palmeiras segue marcada para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu.
Por que o Flamengo contesta a escalação de Rojo?
O Estudiantes contratou Rojo, que estava no Racing, no começo de outubro e pediu à Conmebol, em 9 de outubro, para inscrevê-lo no lugar do uruguaio Gabriel Neves, lesionado. Segundo nota oficial do Flamengo, a janela de transferências da Argentina estava fechada desde 2 de setembro, e Rojo tinha atuado em partidas oficiais pelo Racing até o dia 27 daquele mês.
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A Conmebol consultou a Fifa e recusou a troca em 14 de outubro, decisão mantida no dia seguinte. Por isso, Rojo ficou fora do jogo de ida, em La Plata, que terminou 0 a 0.
O clube argentino levou o caso ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS, na sigla em espanhol; CAS em inglês), na Suíça. Em 21 de outubro, véspera da partida no Rio, o tribunal autorizou de forma provisória a participação do jogador. No mesmo despacho, de acordo com o Flamengo, negou o pedido argentino para afastar eventuais consequências esportivas e disciplinares da escalação caso a decisão final seja desfavorável.
Como foi o jogo no Maracanã
Rojo começou como titular, segundo o Flashscore. A partida terminou em novo 0 a 0, e o Estudiantes venceu nos pênaltis por 3 a 2. O goleiro Fernando Muslera defendeu as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique, segundo o Estadão, reproduzido por O Liberal.
A reclamação precisava ser feita em até 24 horas depois do apito final, e o Flamengo cumpriu o prazo. A base é o artigo 24.1.b do Código Disciplinar da Conmebol, e o clube quer uma resposta antes da final.
O que diz a regra e qual pode ser a punição?
O código disciplinar da entidade prevê que o time que usa jogador sem condição de jogo seja declarado perdedor por 3 a 0. Há ainda multa possível de US$ 5 mil e sanções ao atleta, de acordo com o Estadão.
Se a Conmebol aplicar o 3 a 0 no jogo de volta, o placar agregado passaria a ser favorável ao Flamengo, que herdaria a vaga na final.

O clube cita como precedente o caso do Santos em 2018. Naquele ano, o meia uruguaio Carlos Sánchez entrou em campo contra o Independiente, pelas oitavas de final, com uma partida de suspensão ainda a cumprir. A Conmebol transformou o 0 a 0 da ida em derrota do Santos por 3 a 0, e o time brasileiro caiu depois de outro empate sem gols na volta. Segundo o SRzd, há também precedentes com desfechos diferentes.
O que falta ser decidido
Correm dois caminhos ao mesmo tempo:
- Na Conmebol: a reclamação do Flamengo é analisada pelos órgãos disciplinares. O Estudiantes apresentou defesa. A entidade não comenta processos antes do desfecho.
- No TAS: o tribunal ainda precisa julgar, em definitivo, se a inscrição de Rojo era regular. A liberação de 21 de outubro vale só até essa decisão.
Não há consenso sobre a data do julgamento no TAS. O site Coluna do Fla, citando o jornalista Renan Moura, da Rádio Globo e da CBN, informou a data de 12 de novembro. Já o jornalista Mauro Cezar Pereira, do UOL, relatou nesta segunda-feira (26), após manifestação do próprio tribunal, que a audiência definitiva ainda não foi marcada.
O documento do TAS que circulou nas redes também é motivo de leituras diferentes. Para o Flamengo, o trecho que negou proteção ao Estudiantes contra punições mostra que o clube argentino assumiu o risco ao escalar o zagueiro. Do outro lado, a Associação do Futebol Argentino (AFA) tem apoiado o Estudiantes, e, segundo o R7, citado pelo SpaceMoney, a Fifa confirmou a liberação dada pelo tribunal.
O que dizem Flamengo, Palmeiras e Conmebol
Em nota, o Flamengo afirmou que não deu início ao processo sobre a inscrição de Rojo, que foi incluído no caso pelo próprio Estudiantes no TAS em 16 de outubro e que agiu “apenas para preservar seus direitos”. O clube negou que esteja atrás de vitória fora do gramado e disse querer “garantir que as regras de uma competição internacional valham igualmente para todos os clubes”.
Depois da vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-MG, na segunda-feira (26), o técnico Leonardo Jardim foi cauteloso: “Acredito que é possível, mas esse assunto é do departamento jurídico”, disse.
No Palmeiras, a presidente Leila Pereira classificou a iniciativa rubro-negra como feia e ridícula, segundo o SpaceMoney, e Abel Ferreira disse que o Palmeiras vai a campo em 28 de novembro por mérito, contra o adversário que venceu no gramado. A Conmebol, por sua vez, segue preparando a final entre Palmeiras e Estudiantes. Segundo o R7, a venda de ingressos deve começar no início de novembro, com 14 mil lugares reservados à torcida palmeirense.
Próximos passos
A palavra final cabe à Conmebol, que pode julgar a reclamação antes ou depois do TAS. Enquanto não houver decisão, vale o resultado do campo: Palmeiras e Estudiantes decidem o título em 28 de novembro, no Centenário. Qualquer mudança na vaga depende de uma decisão favorável ao Flamengo.



