Forças dos Estados Unidos atacaram a ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz, numa operação de pequena escala. A informação é do jornal The Wall Street Journal (WSJ), que a divulgou nesta segunda-feira (2), citando autoridades americanas. A agência estatal iraniana IRNA relatou cinco explosões seguidas na ilha.
Washington não confirmou o ataque publicamente. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
O que se sabe sobre o ataque
Segundo a IRNA, moradores disseram ter visto duas aeronaves sobrevoando a região. A Marinha do Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) afirmou, em comunicado, ter registrado dois drones americanos MQM-170 sobre a ilha, possivelmente para localizar as defesas aéreas iranianas ali instaladas. De acordo com a organização, os dois aparelhos foram derrubados. Não há confirmação independente desse número.
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Uma fonte militar confirmou a operação ao WSJ. Segundo o jornal, a meta era evitar que o Irã voltasse a atacar embarcações no Estreito de Ormuz.
A ação ocorreu no início da madrugada de terça-feira (3), no horário local. O Irã está 6h30 à frente de Brasília, o que coloca o ataque ainda na segunda-feira pelo horário brasileiro.
Por que Qeshm importa
A ilha fica no sul do Irã, no Golfo Pérsico, a poucos quilômetros do Estreito de Ormuz. Com cerca de 1.200 a 1.500 km², é a maior do golfo. Segundo o Poder360, há ali um depósito subterrâneo de mísseis, uma base naval e uma usina de dessalinização. A ilha já havia sido alvo de outros ataques americanos.
As versões divergem sobre o ritmo das ações. O WSJ descreve uma série de ofensivas limitadas nas últimas semanas, mantidas em segredo para não indicar a volta da grande campanha militar contra o Irã. O Metrópoles trata Qeshm como a primeira operação americana contra o país desde setembro.
As fontes consultadas não trazem informação sobre efeito do ataque nos preços do petróleo ou dos combustíveis.
Eleições e negociação
A ação ocorre na véspera das eleições legislativas americanas de meio de mandato, marcadas para terça-feira (3). Na segunda, o presidente Donald Trump disse em discurso em Washington: “Estamos vencendo o Irã, vencendo com facilidade. Eles querem fazer um acordo. E isso pode acontecer”. Questionado por jornalistas se pensava em atacar o Irã depois do pleito, respondeu: “Não”.
Os dois países estão em guerra desde 28 de fevereiro. No sábado (31), Trump não descartou novos ataques para neutralizar alvos militares iranianos. No domingo (1º), o porta-voz do Exército do Irã, Mohammad Akraminia, respondeu: “Uma nova guerra pode durar mais do que a anterior”.
Uma nova rodada de negociações, mediada por Catar e Paquistão, começou no fim de outubro e ainda não chegou a resultado, segundo o Metrópoles. Autoridades iranianas dizem que as conversas continuam.



