O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que renuncia ao cargo, em meio à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank. A renúncia só se efetiva se for aceita pelo Congresso. Senadores da oposição disseram que não a aceitam, mas o presidente da Câmara, Raúl Latorre, anunciou que ela seria aceita em sessão conjunta no fim da tarde, segundo o jornal paraguaio La Nación.
Peña publicou um vídeo nas redes sociais no início da tarde, enquanto os deputados reunidos analisavam pedidos de impeachment contra ele e contra o vice-presidente, Pedro Alliana. “Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República”, disse. Segundo ele, a decisão leva em conta a estabilidade do país, a paz social e a preservação das instituições democráticas. Peña também pediu desculpas ao povo “se, em algum momento, falhei” e defendeu que as poupanças dos paraguaios sejam devolvidas por meio do Fundo de Garantia de Depósitos.
O que aconteceu com o Ueno Bank?
A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank porque o capital da instituição era insuficiente. De acordo com o Poder360, o Ueno é o maior banco digital do país.
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Peña tinha ligação com o grupo. Em abril do ano passado, admitiu ter investimentos na Ueno Holding, empresa ligada ao Grupo Vázquez, controlador do banco. Conforme o jornal paraguaio ABC, ele investiu em 2019 e, em março de 2025, o principal acionista decidiu dissolver a empresa numa fusão da qual Peña preferiu não participar.
O presidente afirmou que foi pago por suas ações e que deixou de ter qualquer ligação com a Ueno Holding. O ABC informa que, antes de se desfazer das ações, ele tinha participação de 6,144 bilhões de guaranis, cerca de R$ 5,51 milhões na conversão feita pelo Estadão.
O que o Congresso pode fazer agora?
A Câmara aprovou a abertura do processo de impeachment contra Peña, por unanimidade, segundo o Estadão. O Poder360 relata apoio quase unânime, de 79 dos 80 parlamentares, inclusive com o aval de Horacio Cartes, apontado pelo site como presidente do Partido Colorado, que rejeitou associação com o desvio de fundos públicos e privados.
No Senado, a oposição quer que o processo siga. A senadora Esperanza Martínez, do Partido da Participação Cidadã, escreveu nas redes que não aceita a renúncia e que é preciso realizar o impeachment de Peña e de Alliana. O senador Rafael Filizzola, do Partido Democrático Progressista, afirmou que a renúncia “chega tarde demais” e defendeu que Peña seja destituído e processado criminalmente.

A pressão tem relação com a lei paraguaia, segundo o Estadão: ex-presidentes eleitos democraticamente viram senadores vitalícios, exceto os declarados culpados em julgamento político. Se renunciar sem ser condenado no impeachment, Peña poderá assumir essa condição e ter imunidades parlamentares.
O que se sabe sobre o pedido contra o vice?
Os relatos divergem. O Estadão informa que a Câmara aprovou a abertura do processo contra Alliana por 48 votos a 30. O Poder360 diz que os deputados rejeitaram a abertura. Não há confirmação de qual versão está correta.
Quem é Pedro Alliana?
Alliana, do Partido Colorado, tem 52 anos e nasceu em Pilar, no departamento de Ñeembucú. É casado, tem quatro filhos, trabalhou no comércio e cursou Relações Internacionais na Universidade San Sebastián. Na juventude, integrou a seleção paraguaia de basquete em torneios nacionais, segundo o Poder360.
Foi governador de Ñeembucú de 2008 a 2012 e deputado por dez anos a partir de 2013. Liderou a bancada colorada de 2015 a 2023. Em abril de 2026, anunciou pré-candidatura à Presidência em 2028, com apoio de Peña e de Cartes.
Quando o Congresso decide?
De acordo com o La Nación, Latorre anunciou que a renúncia seria aceita às 17h desta quinta e que Alliana tomaria posse às 18h. A escolha do novo vice-presidente pelo Congresso estava prevista para as 19h. O Paraguai segue o mesmo horário de Brasília.
Se a renúncia for aceita, Alliana assume e governa até o fim do mandato, em 2028.
Atualização (05/11, 16h10): acrescentado o horário previsto para a sessão do Congresso e a posse de Alliana, segundo o La Nación.



