O Paraná já registrou 3.600 tentativas do golpe do falso advogado em 2026, número 71% maior que os 2.103 casos contabilizados em 2025, segundo a seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR). A entidade diz que os criminosos aprimoraram as técnicas para convencer as vítimas.
Em Campo Grande, um caso separado mostra como a fraude funciona na prática: uma advogada registrou boletim de ocorrência depois de descobrir que sua identidade profissional e sua imagem eram usadas para abordar clientes pelo WhatsApp.
Como o golpe funcionou em Campo Grande
A advogada procurou a Depac Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário). De acordo com o registro policial, o perfil falso exibe uma foto antiga dela ao lado da filha.
Os golpistas também demonstram conhecer detalhes dos processos das vítimas, principalmente em demandas da área previdenciária. Até agora, a profissional identificou que ao menos duas pessoas caíram no golpe, e uma delas é cliente dela.
O boletim aponta que o esquema pode ter relação com tentativas anteriores de invasão digital. Antes de ter a imagem usada, a advogada recebeu uma mensagem no WhatsApp de um suposto atendente da Claro, que pedia que ela clicasse em um link para não perder a conta. Ela não clicou, foi a uma loja física da operadora e constatou que se tratava de phishing, tentativa de roubo de dados.
O caso foi registrado como fraude eletrônica e segue sob investigação.
Por que o golpe está mais sofisticado
Leandro Pereira, conselheiro estadual da OAB-PR e coordenador da Comissão de Inteligência e Combate ao Golpe do Falso Advogado, afirma que o aumento das tentativas criou um estado de alerta, tanto pelo volume de abordagens quanto pela evolução dos métodos.
“Antes, eles usavam a foto em um perfil falso do WhatsApp. Agora, chegam ao requinte de criar cenários virtuais, para audiências online fictícias, e recorrem à Inteligência Artificial para montar áudios com vozes, que simulam às dos advogados”
Pereira explica que os criminosos exploram a relação de confiança entre advogado e cliente. Segundo ele, os argumentos são atrativos porque os golpistas usam números reais: o da inscrição do advogado na OAB, o do processo e o valor da causa.
Como se proteger
Pereira dá estas orientações:
- anotar na agenda do celular o contato oficial do advogado;
- evitar informar dados pessoais em primeiras mensagens ou ligações;
- verificar o número de quem liga e desligar se for desconhecido.
No caso de Campo Grande, a orientação divulgada é confirmar a veracidade do contato pelos canais oficiais habituais do profissional antes de qualquer transação financeira.
Como denunciar
Pereira recomenda que toda tentativa seja denunciada com boletim de ocorrência. Com os registros, segundo ele, as autoridades tomam ciência dos casos e passam a ter estatísticas para investigar, identificar e punir os golpistas.
Na quinta-feira (1º), Pereira ministrou palestra sobre os cuidados contra o golpe no auditório da subseção da OAB em Maringá, a partir das 19h. O evento foi aberto ao público e teve inscrição gratuita.



