Um pecuarista de 91 anos teve mais de 2,3 mil cabeças de gado desviadas de sua propriedade em Santiago, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A Polícia Civil deflagrou a Operação Apropriare na quarta-feira (21) para investigar o caso, cujo prejuízo o Canal Rural estima em mais de R$ 11 milhões.
O dono percebeu o problema ao comparar o registro oficial do rebanho com a contagem feita na fazenda. Faltavam mais de 2.300 animais, o que, segundo o Canal Rural, equivale à metade do plantel. Após a denúncia, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Santiago abriu a investigação, em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
Como o esquema funcionava?
De acordo com a Terra, o ex-administrador da propriedade, que cuidou do rebanho entre 2016 e 2025, é apontado pela polícia como mentor da fraude, estruturada para burlar os controles agropecuários. O Canal Rural o descreve como ex-gerente da fazenda e diz que ele teria autorizado transferências irregulares e emitido notas fiscais incompatíveis. Ele é investigado, e a responsabilidade só pode ser definida ao fim do processo.
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Os animais saíam do cadastro do produtor e passavam para o nome de um familiar do investigado, na mesma fazenda. Para dar ar de regularidade, o grupo lançava nascimentos de terneiros no mesmo dia das transferências. Também foram emitidas notas fiscais de venda sem qualquer movimentação de dinheiro entre as partes.
O delegado regional de Santiago, Guilherme Antunes, descreveu o método ao Canal Rural:

“O investigado recebia determinada quantidade de animais sem que houvesse nenhuma contraprestação financeira com quem estava encaminhando e, no mesmo dia, já era lançado um nascimento de terneiros em cima desses animais, numa forma de tentar dar uma aparência regular ao rebanho”.
O que a polícia já fez?
A Vara Criminal da Comarca de Santiago deferiu as medidas cautelares pedidas pela Polícia Civil. A operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, em Santiago e em São Vicente do Sul.
Os policiais apreenderam uma caminhonete Toyota Hilux e sequestraram um imóvel rural ligado aos suspeitos. Sobre o gado recuperado, as reportagens divergem: a Terra informa 400 animais, e o Canal Rural fala em 500 apreendidos. As fontes não esclarecem a diferença.
Quem é investigado e por quais crimes?
Seis pessoas são investigadas. Segundo a Terra, elas podem responder, conforme o grau de participação, por apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Esta última decorre de diferenças patrimoniais e de valores subdeclarados em escrituras de imóveis.
O delegado afirmou ao Canal Rural que ainda não está claro o que aconteceu com os animais:
“A gente nem sabe se esses animais realmente foram efetivamente vendidos, transferidos, alienados ou se só houve o chamado empréstimo da guia para dar uma aparência de regularidade aos animais.”
A investigação continua e busca rastrear o paradeiro dos animais restantes e de outros bens ocultados. As reportagens não informam prazo para a conclusão do inquérito.



