Dois policiais militares se tornaram réus na Justiça Militar por terem, segundo a denúncia, liberado o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho logo depois de um acidente que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, na zona leste de São Paulo. A informação foi publicada pelo Estadão.
A Promotoria de Justiça Militar denunciou os agentes pelo crime de tolerância, descrito como inobservância de lei e previsto no artigo 324 do Código Penal Militar. A identidade dos policiais não foi divulgada, e o jornal informou que não localizou a defesa deles.
O que a promotoria aponta como falha dos policiais
De acordo com o Ministério Público, a equipe que atendeu à ocorrência não seguiu os procedimentos operacionais da Polícia Militar paulista. A denúncia cita três pontos: o local não foi preservado, o bafômetro não foi oferecido ao motorista do Porsche e uma das câmeras corporais não foi acionada de forma adequada.
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A promotoria afirma que os policiais liberaram Andrade Filho a pedido da mãe dele, que foi até o local e sugeriu levá-lo a um hospital. A conversa foi captada pela câmera corporal de um dos agentes. “Pelo amor de Deus, deixa eu levar ele para fazer tomografia, moça”, disse a mulher. “Se ele tiver batido a cabeça, cada minuto conta”, afirmou.
O motorista também conversou com os policiais, com a voz embargada. “A gente estava saindo da festa, a gente ia para a minha casa jogar sinuca. E do nada aconteceu um acidente horrível”, disse. Após insistência, uma das agentes respondeu: “Pode ir”.
Andrade Filho não foi ao hospital. Voltou para casa e só se apresentou à delegacia 36 horas depois do acidente. “Essa conduta prejudicou a investigação do homicídio na direção de veículo automotor e causou prejuízo à administração militar”, afirmou a promotoria.
Como foi o acidente que matou o motorista de aplicativo
A batida aconteceu na madrugada de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo. Andrade Filho, então com 24 anos, dirigia um Porsche em alta velocidade e bateu na traseira do Renault Sandero conduzido por Viana. A vítima foi socorrida, mas morreu de traumatismo cranioencefálico.
O amigo que acompanhava o empresário, Marcus Vinicius Rocha, então com 22 anos, ficou gravemente ferido e passou por cirurgia para retirar o baço.
Com imagens de câmeras de monitoramento, a Polícia Técnico-Científica apurou que o Porsche rodava a 156 km/h, muito acima do limite de 50 km/h da via. As investigações também apontaram que ele havia consumido bebida alcoólica antes do acidente.
Em que pé está o processo contra o empresário
Andrade Filho foi preso e continua detido. Ele responde por homicídio doloso na 5ª Vara do Júri da Capital. Na época, também foi indiciado por lesão corporal e por fuga do local do acidente, já que não prestou socorro nem fez o teste do bafômetro. O Estadão informou que busca contato com a defesa dele.
O júri está marcado para começar nesta quarta-feira (28) e deve durar dois dias. Ao menos 14 testemunhas serão ouvidas antes do veredito.



