O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu acesso integral a investigações conduzidas pelo colega Alexandre de Moraes. A decisão provocou incômodo entre integrantes da Corte, segundo o InfoMoney. O veículo não detalha em qual processo a determinação foi tomada nem a data.
Nos bastidores, a avaliação é que o movimento pode abrir caminho para questionar, no futuro, a validade de decisões de Moraes na ação da trama golpista. Foi nesse processo que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados acabaram condenados.
Por que ministros estão preocupados?
Uma ala do tribunal teme que a iniciativa vá além do debate sobre a regularidade dos procedimentos de investigação. Para esses ministros, ela pode abrir uma nova frente de contestação a decisões que o Supremo já tomou.
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Fux ainda não se pronunciou sobre o mérito. Mesmo assim, integrantes do tribunal interpretaram a determinação como sinal de que ele pretende examinar a atuação de Moraes nas investigações que embasaram o processo da tentativa de golpe de Estado.
Segundo o InfoMoney, esses ministros avaliam que a iniciativa, mesmo sem levar à anulação de atos da investigação, poderia fornecer elementos para um eventual pedido de impeachment de Moraes. O veículo descreve o tema como bandeira eleitoral de parte da bancada eleita ao Senado no último domingo.

Moraes recebeu a cúpula da PF
Na terça-feira, Moraes recebeu em seu gabinete o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Também participaram Dennis Cali, diretor da Divisão de Crime Organizado (Dicor), e Leandro Almada, diretor de inteligência.
O encontro foi revelado pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo. Nem o STF nem a PF haviam informado a reunião publicamente.
De acordo com o InfoMoney, o encontro aprofundou a desconfiança entre os ministros. A Corte está dividida entre uma ala favorável a Moraes e outra alinhada a André Mendonça, relator do caso Master. Fux tem votado com o segundo grupo, segundo o veículo.
O que disse a associação dos delegados da PF
O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, afirmou que a entidade espera uma postura republicana, técnica e isenta da PF durante o período eleitoral. A manifestação, divulgada em nota, também trouxe este trecho:

“A nossa luta permanente é por uma Polícia Federal de Estado, com autonomia real para cumprir seu papel constitucional, sem lado, ideologia ou partido.”
O ofício de Fachin sobre o caso Master
A reunião ocorreu uma semana depois de o presidente do STF, Edson Fachin, enviar um ofício a Andrei Rodrigues. No documento, ele defende a apuração de eventuais fatos que envolvam integrantes da Corte no inquérito do Banco Master.
Fachin escreveu que dará os encaminhamentos devidos assim que receber relatório ou conjunto de informações em que os fatos sejam apresentados integralmente, “sem exceção de pessoa”.
No fim do ofício, Fachin menciona uma audiência com Andrei, que já teria sido combinada entre os dois. O documento não informa data nem horário do encontro, e a agenda do presidente do STF costuma ser divulgada.
O InfoMoney atribui o clima interno a avaliações de bastidores e a integrantes da Corte, sem identificá-los. Fux ainda não se pronunciou sobre o mérito da decisão.



