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Energia responde por 68% da alta de 48 itens do IPCA desde 2000, diz estudo

Levantamento da Ex Ante, feito a pedido da Abrace, que representa grandes consumidores de energia, aponta que quase 30% do preço do pãozinho vem de energia.

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Resumo rápido

  • Estudo da Ex Ante atribui à energia 68% da alta de 48 itens do IPCA entre 2000 e junho de 2026
  • No pãozinho, quase 30% do preço é energia; o pão foi de cerca de R$ 0,15 para perto de R$ 1
  • A pesquisa foi encomendada pela Abrace, entidade que representa grandes consumidores de energia

A energia foi responsável por 68% do aumento de preços de 48 bens e serviços do dia a dia no Brasil entre 2000 e junho de 2026, segundo estudo da Ex Ante Consultoria Econômica, noticiado pela Folha de S.Paulo. Esses itens somam 32,6% da cesta do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), e o efeito vem de eletricidade, gás e combustíveis.

O trabalho foi feito a pedido da Abrace, entidade que representa grandes empresas consumidoras de energia, setor com interesse direto no tema.

Quanto a energia pesa no pãozinho?

De acordo com o estudo, quase 30% do preço do pão é energia. Desse total, 18,7% correspondem à eletricidade e ao gás usados nos fornos, e 11% ao combustível gasto para transportar os insumos.

Leia também: IPCA de setembro sobe 0,82% e inflação em 12 meses chega a 4,58%

O pãozinho custava cerca de R$ 0,15 em 2000 e hoje está perto de R$ 1. Do aumento de R$ 0,85, o estudo atribui cerca de R$ 0,73, ou 86%, ao encarecimento da energia ao longo da cadeia produtiva.

Fernando Garcia, coordenador do estudo e sócio-diretor da Ex Ante, afirma que o objetivo é mostrar às famílias o custo de energia escondido nos produtos e serviços. Segundo os dados citados na reportagem, apenas 35% do consumo de eletricidade dos brasileiros aparece na conta de luz. No caso do gás, 14% é usado na cozinha ou no chuveiro. O restante vem embutido no preço de produtos e serviços.

Quais produtos sentem mais a alta?

O estudo acompanhou 48 bens e serviços de 2000 a junho de 2026. A fatia da energia no preço final varia de um produto para outro:

  • caderno escolar: 34%;
  • cimento: 32%;
  • vidro: 30%;
  • carne (bifinho): 27%;
  • café moído: 19%;
  • automóvel: 12%.

Em relação à alta de preços no período, a energia explicou 79% do aumento do leite longa vida, 71% do tênis, 61% da cerveja e 53% do desodorante. No prato feito fora de casa, a energia respondeu por cerca de 23% da alta, por causa do preparo e da refrigeração e do ar-condicionado de bares e restaurantes.

E a conta de água e as obras?

O saneamento usa energia para captar, tratar, bombear e distribuir água, além de coletar e tratar esgoto. Os gastos do setor com eletricidade passaram de R$ 2,9 bilhões em 2010 para R$ 9,1 bilhões em 2024, alta de 213%.

O maior avanço foi o dos produtos químicos que consomem muita energia na fabricação: 369%, impulsionado principalmente pelo cloro do tratamento. Dependendo do tipo de produção, a eletricidade pode representar até 70% do custo do cloro.

Para bens de capital, o levantamento tomou 2021 como base, o último ano com dados detalhados das Contas Nacionais do IBGE. Naquele ano, a energia equivalia a 14% do custo da construção civil e a 13% da produção de máquinas e equipamentos. Partindo dessa premissa, o estudo calcula que 72% do aumento de preço da construção civil nas últimas duas décadas veio da energia. Para máquinas em geral, o índice é de 28%.

Por que o problema seria maior no Brasil?

Garcia chama o fenômeno de “inflação energética” e diz que ele é local, porque a energia pesa mais no custo da produção brasileira do que em outros mercados. Segundo a reportagem, o encarecimento pressiona a inflação e reduz a competitividade da economia.

Entre 2000 e 2026, a eletricidade paga pelo setor produtivo brasileiro, medida em dólares, subiu 327,7%. A alta ficou 182,4 pontos percentuais acima da registrada nos Estados Unidos e 218,1 pontos acima da União Europeia.

No gás natural, o preço subiu 154,5% no Brasil, enquanto caiu 64% nos Estados Unidos. Na comparação com a União Europeia, a alta brasileira foi 48,1 pontos percentuais maior. O estudo se intitula “O Impacto da Evolução do Custo da Energia no Preço das Mercadorias e na Inflação Brasileiras de 2000 a 2026”.

Fontes consultadas

Folha de S.Paulo — Inflação da energia dispara e encarece de pãozinho a grandes obras de infraestrutura UOL — Inflação da energia dispara e encarece de pãozinho a grandes obras de infraestrutura

Produzida pela Redação Trendou com apoio de ferramentas de inteligência artificial, a partir das fontes acima. Política editorial · Pedir correção

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