A Receita Federal está enviando cartas a 498.487 contribuintes cuja declaração do Imposto de Renda de 2026 ficou retida na malha fina. De acordo com o g1, o envio começou em 5 de outubro e termina nesta terça-feira (20).
A ação integra o “Projeto Cartas 2026”. A ideia é que o contribuinte acerte a declaração por conta própria, antes de ser alvo de notificação ou intimação formal. Segundo o Fisco, agir cedo diminui a chance de multa e de demora na restituição.
Como saber se a declaração caiu na malha fina?
Não é preciso esperar a carta chegar. A consulta é feita no serviço Meu Imposto de Renda, pelo site ou pelo aplicativo da Receita. O acesso exige login na conta gov.br, e a conta precisa ser de nível prata ou ouro.
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Se aparecer o status “com pendências”, o contribuinte abre a tela para ver qual divergência foi encontrada. Quando for o caso, envia uma declaração retificadora. Todo o procedimento pode ser feito pela internet, sem ir a uma unidade da Receita.
Quais erros levam à malha fina?
A malha fiscal compara o que o contribuinte informou com os dados que empresas, bancos, planos de saúde e prestadores de serviço enviam à Receita. Cair nela não significa, necessariamente, fraude nem imposto a pagar. O que há é uma informação que precisa de conferência, correção ou comprovação.
Entre os erros mais comuns estão:

- rendimento extra ou pontual recebido no ano e não declarado, como aluguel;
- rendimentos de dependentes que ficaram de fora;
- despesa médica lançada no ano errado ou com valor diferente;
- aposentadoria com mais de uma fonte pagadora e valores incompletos;
- saque de previdência privada ou rendimento de aplicação sem conferência do informe do banco.
O funcionário público Alexsandre de Sá Gomes é um dos retidos. Ele sempre fez a declaração sozinho e diz ter interpretado um dado de forma equivocada. “Eu poderia estar recebendo algo e agora tenho que aguardar”, contou ao Jornal Nacional.
Retificar ou comprovar: o que fazer?
A contadora Andressa Garcia, da Aliança Assessoria Contábil e Financeira, diz que o primeiro passo é descobrir a origem da divergência. Se houve erro de preenchimento ou rendimento esquecido, o caminho costuma ser retificar. Se a informação está certa e a Receita pede comprovação, o contribuinte precisa reunir os documentos que sustentam o que declarou.
O auditor fiscal Jorge Alberto dos Santos afirmou que as cartas atendem sobretudo os casos mais simples, em que o próprio contribuinte consegue se regularizar. Os casos complexos exigem documentos e abertura de processo, também de forma digital. Depois da retificação, a declaração é reprocessada. Se houver direito à restituição, o contribuinte entra na fila.
Quanto pode custar esperar?
Edilson Junior, vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro, alerta que a divergência pode virar lançamento fiscal e, depois, dívida ativa. Segundo ele, o valor devido pode, inclusive, dobrar.
Onde estão as cartas?
São Paulo tem a maior quantidade: 163.159, cerca de um terço do total. Minas Gerais vem em seguida, com 48.509, e o Rio de Janeiro tem 45.403. O Sudeste reúne 267.234 cartas, cerca de 54% do total previsto para o país.
Quem recebeu a carta, mas tem certeza de que preencheu tudo corretamente, deve conferir a situação da declaração nos canais oficiais da Receita antes de fazer qualquer alteração, segundo o presidente do Sindicato dos Contabilistas de Chapecó, Carmo Alex Röhrig, ouvido pela NDTV. O envio das cartas termina nesta terça-feira (20).



