José Antônio Pires de Souza, assessor parlamentar do deputado estadual Lídio Lopes (Avante), foi preso em Iguatemi, na região sul de Mato Grosso do Sul, depois de ser flagrado com R$ 127 mil em espécie. A abordagem ocorreu na quarta-feira (30), segundo o g1.
De acordo com a Polícia Militar (PM), ele tentou subornar os policiais ao saber que seria levado à delegacia. A defesa dele não foi localizada pela reportagem do g1.
Como foi a abordagem
A PM recebeu uma denúncia de que um carro circulava em alta velocidade pela cidade, levando supostamente material ilícito rumo a Japorã. Segundo a polícia, essa região é usada como rota de tráfico de drogas, contrabando e descaminho.
Ao ser parado perto de um bar, José Antônio disse que saíra de Campo Grande e ia para Mundo Novo. Ele é ex-vereador de Mundo Novo e já presidiu a Câmara do município. Na revista, os policiais encontraram:
- 10 pacotes marrons com dinheiro, dentro de uma mochila preta;
- 1 pacote semelhante, numa sacola rosa, junto com roupas;
- santinhos, faixas e adesivos de Lídio Lopes, no carro e no porta-malas.
Um dos pacotes foi aberto e tinha R$ 14 mil, em notas de R$ 50 e R$ 100. Questionado, o assessor disse acreditar que os outros somavam de R$ 60 mil a R$ 100 mil. Naquele momento, os demais volumes não foram abertos nem contados. O total de R$ 127 mil consta na reportagem do g1.
Conforme a polícia, boa parte dos pacotes trazia anotações de valores separados por volume. Com ele, havia ainda um celular com adesivo de Lídio Lopes, desligado e sem bateria.
A suspeita de suborno
Segundo o registro policial, o assessor teria oferecido R$ 5 mil a cada integrante da equipe para que o caso não seguisse adiante. Diante disso, recebeu voz de prisão.
Ainda de acordo com o registro, ele disse que trabalhava na campanha do candidato e levaria o dinheiro e o material a Mundo Novo. Não soube informar aos policiais de onde vinha o dinheiro.
O que diz a campanha
O g1 procurou a assessoria de imprensa de Lídio Lopes, que não deu retorno até a última atualização da reportagem. José Antônio, o carro, o dinheiro, o material de campanha e o celular foram levados à Delegacia de Polícia de Iguatemi, onde o caso foi registrado.
Outros casos na campanha em MS
Na mesma quarta-feira, em Corumbá, a Polícia Federal encaminhou à delegacia uma mulher flagrada com R$ 1,7 mil em espécie e santinhos de candidatos. Segundo a investigação, o dinheiro seria suspeito de uso na compra de votos.
Em 25 de setembro, a PF apreendeu mais de R$ 250 mil em espécie ao cumprir mandados no comitê e na casa do deputado estadual Márcio Fernandes (PL), candidato à reeleição, em Campo Grande. A assessoria dele informou, em nota, que ele havia sacado R$ 100 mil da conta pessoal para despesas de propriedades rurais e que nada de irregular foi encontrado. A PF informou que ele não foi preso porque não era alvo de mandado de prisão.



