A Prefeitura do Rio de Janeiro passou a acompanhar em tempo real a operação dos ônibus da cidade a partir de uma nova central, o Centro de Operações de Mobilidade Rio (COM Rio), inaugurado na quinta-feira (1º). A sala funciona 24 horas por dia, com 33 profissionais em turnos, e cruza dados de GPS, da bilhetagem Jaé e das câmeras instaladas nos coletivos.
A promessa da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) é enxergar atrasos, intervalos longos e ônibus fora da programação no momento em que acontecem, e cobrar as empresas com base nesses números.
O que é o COM Rio
É uma sala de controle dedicada só ao transporte público, instalada no prédio do COR, o Centro de Operações Rio, que fica na Cidade Nova, no Centro da cidade. A estrutura tem dez posições de trabalho em duas bancadas curvas e três painéis de LED de quatro metros de extensão cada, que mostram ao mesmo tempo mapas, imagens das câmeras, indicadores e alertas.
No centro da sala, uma tela interativa permite escolher o que aparece nos painéis e consultar informações sobre a operação. Segundo a prefeitura, o COM Rio vai trocar dados com o próprio COR e com o Centro de Operações da Mobi-Rio, empresa responsável pelo BRT.
O que a prefeitura vai conseguir ver nos ônibus
Com os sistemas integrados, a SMTR diz que poderá acompanhar, viagem por viagem:
- a localização de cada ônibus pelo GPS;
- os intervalos entre um carro e outro na mesma linha;
- a demanda de passageiros, a partir da bilhetagem e de contadores embarcados;
- se a empresa está cumprindo a programação de viagens;
- se o ar-condicionado, as portas e os elevadores para cadeirantes estão funcionando, conforme os sensores forem chegando à frota.
Segundo o jornal Extra, a plataforma também permite mandar avisos a motoristas e passageiros sobre mudanças de itinerário, como desvios programados ou causados por ocorrências no trânsito.
O que muda para quem anda de ônibus no Rio
A expectativa da prefeitura é que problemas como longas esperas no ponto, ônibus andando em comboio e carros sem ar-condicionado sejam identificados mais depressa e corrigidos durante a própria operação.

“Os problemas são identificados mais rápido, a Prefeitura ganha mais capacidade para cobrar e fiscalizar os operadores”, afirmou o secretário de Transportes, Jorge Arraes, em texto divulgado pela prefeitura.
A administração também diz que o centro vai apoiar a divulgação de informações sobre os ônibus em tempo real, para ajudar o passageiro a planejar o trajeto. Ainda não foi informado quando nem por qual canal esses dados chegarão ao público.
Como as empresas de ônibus podem ser punidas
É aqui que está o efeito prático da central. Pelos contratos, as operadoras recebem por quilômetro rodado, mas o valor pago por quilômetro sofre desconto quando os indicadores de desempenho ficam abaixo do mínimo previsto, de acordo com o Extra. Com mais dados, a prefeitura afirma que consegue conferir o serviço que de fato foi prestado.
O prefeito Eduardo Cavaliere disse, na inauguração, que o uso do Jaé já resultou em mais sanções e multas às empresas. “É um dia histórico. A Prefeitura vai ter mais ferramentas e mais informação para fiscalizar”, declarou, segundo a nota oficial.
O que ainda falta
A integração completa não tem data. Segundo o Extra, Cavaliere disse que a implantação total vai levar tempo e que o sistema será ligado também ao VLT e à Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas). Cavaliere também repetiu a meta de colocar mil ônibus novos em circulação até 2027, incluindo modelos elétricos.
O jornal O Fluminense ponderou que o resultado para o passageiro vai depender da qualidade dos dados recebidos, da coordenação entre os órgãos e da rapidez das providências.
Dá para visitar a central?
Sim. A chamada “sala da transparência” será aberta a visitas com agendamento prévio, segundo o Extra. Os comunicados da prefeitura ainda não detalham como agendar.
