O Irã disse nesta segunda-feira (2) que pode reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias, e não em sete, desde que os Estados Unidos aceitem suas condições. Na mesma sessão, o petróleo Brent chegou a cair 7,96%, para US$ 104,40 (R$ 568,25), com a expectativa de retomada das conversas.
“A possibilidade de implementar este plano em dois dias é mais uma demonstração da boa-fé do Irã”, afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei.
O que o Irã exige para reabrir Ormuz?
Teerã apresenta quatro pedidos: que cessem os combates em todas as frentes, que ativos iranianos no exterior sejam liberados, que as sanções ao setor de petróleo sejam retiradas e que o bloqueio naval americano termine.
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No domingo, o chanceler Abbas Araghchi incluiu mais uma condição, em entrevista à Al Jazeera: Washington deveria aceitar a nova rota para a passagem de navios combinada entre Irã e Omã no estreito. O Valor Econômico informa que, no sábado, a emissora já havia citado Araghchi dizendo que, num acordo, Ormuz poderia reabrir em dois dias em vez dos sete previstos originalmente.
Segundo o Valor, a base da negociação é um plano de sete etapas elaborado pelo Irã em setembro. Agora, Teerã sugere que a proposta seja executada em prazo mais curto, dentro de um acordo. Baqaei disse que nenhum acordo definitivo pode começar, nem o estreito ser reaberto, a menos que o bloqueio naval termine e as exigências iranianas sejam respeitadas.
Qual é a posição dos EUA?
Os detalhes das exigências de Washington não foram divulgados. O presidente Donald Trump rejeitou a proposta inicial do Irã. Ele afirmou que os EUA não atacarão o país antes das eleições de meio de mandato, marcadas para terça-feira (3), e que as conversas têm sido produtivas. Não descartou, porém, novas ações militares.
Em comício em Iowa, no domingo, Trump disse que busca poupar vidas, mas que “em algum momento” será preciso desferir “um golpe contundente” contra os iranianos. Baqaei respondeu que qualquer agressão terá “resposta contundente, imediata e global”.
Segundo pessoas ouvidas pela Folha, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pressiona Trump por uma retomada rápida da guerra. O presidente americano ainda não decidiu.
Por que o petróleo caiu tanto?
A queda veio depois que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, concedeu ao governo “certos poderes” nas negociações. Por volta das 15h, o Brent estava em US$ 104,38, com recuo de 8%. O WTI, usado nos EUA, caía 7,77%, a US$ 96,04.
Parte do movimento tem explicação técnica. O contrato de referência passou a ser o de janeiro. O de dezembro havia chegado a US$ 118 na sexta-feira (30), segundo a Folha.
Por Ormuz passa um quinto do petróleo consumido no mundo, informou a Veja. O presidente-executivo da Vitol, Russell Hardy, disse na conferência Adipec, em Abu Dhabi, que há “muito medo e risco embutidos no preço”. A analista Helima Croft, do RBC Capital Markets, questionou se Khamenei de fato aprovou concessões.
Onde estão as negociações?
Negociadores iranianos deixaram Doha no domingo. Segundo o Valor, uma autoridade informada sobre as conversas afirmou que a saída não se deveu a dificuldades, que uma minuta de proposta circula entre as partes e que uma nova reunião é possível. O Catar faz a mediação.
O cessar-fogo firmado em junho, após trégua iniciada em abril, não se sustentou, e os ataques foram retomados, segundo a Veja.
Nesta terça-feira (3) ocorrem as eleições de meio de mandato nos EUA. Operadores do mercado avaliam se, depois da votação, haverá nova rodada de ataques contra o Irã.



