O petróleo caiu quase 8% nesta segunda-feira (2), primeiro pregão de novembro. O Brent, referência mundial, chegou a US$ 104,40 por barril (R$ 568,25), o menor valor desde 21 de outubro. O recuo veio depois que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que o líder supremo do país deu ao governo “certos poderes” nas negociações com os Estados Unidos.
Por volta das 15h, o Brent era negociado a US$ 104,38, queda de 8%. O WTI (West Texas Intermediate), usado como referência nos EUA, caía 7,77%, para US$ 96,04 (R$ 522,75).
O que pesou na cotação
Autoridades iranianas conversaram com mediadores do Catar em Doha no fim de semana. Na sexta-feira (30), uma equipe catariana havia passado um dia de negociações em Teerã. Segundo a agência Reuters, uma minuta de acordo circula entre os envolvidos, e novas reuniões são possíveis.
Leia também: Irã diz que reabre Ormuz em dois dias se EUA aceitarem condições; petróleo cai quase 8% · Trump diz que Flávio Bolsonaro pode ficar nos EUA “o tempo que quiser”
“Estamos fazendo esforços para resolver a questão por meio do diálogo”, afirmou Pezeshkian, segundo a imprensa local. Não há confirmação de acordo definitivo, e as condições para encerrar a guerra, iniciada em 28 de fevereiro, seguem em aberto.
Francesco Pesole, estrategista do banco ING, afirmou que o tom mais moderado dos dois lados ajudou a reduzir os preços. Ele lembrou que as cotações ainda incorporam um prêmio de risco geopolítico bastante elevado.
A queda é toda real?
Em parte, não. O Brent para entrega em dezembro chegou a US$ 118 na sexta-feira, segundo a Folha de S.Paulo. O jornal informa que parte da queda desta segunda esteve ligada à mudança do contrato de referência para o vencimento de janeiro.
Às 14h24, de acordo com o Notícias Agrícolas, o Brent recuava 7,47%, a US$ 104,96, e o WTI perdia 7,20%, a US$ 96,62. Em outubro, o Brent havia encerrado o mês no maior patamar em seis meses.

E o diesel no Brasil?
A queda lá fora não vira desconto automático no posto. O petróleo é referência para o preço internacional do diesel, mas o valor cobrado no Brasil também sofre influência do câmbio, das margens de refino e de distribuição e da política comercial das empresas, segundo o Notícias Agrícolas.
O site afirma que uma queda sustentada pode aliviar parte dos custos de energia e de frete. No agronegócio, o diesel pesa no transporte de grãos e fertilizantes e no uso de máquinas nas propriedades.
O conflito também interrompeu o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo. Segundo Sultan Al Jaber, presidente-executivo da estatal ADNOC, de Abu Dhabi, cerca de 1 bilhão de barris saíram dos estoques globais desde o início das interrupções.
Por que analistas seguem cautelosos
Especialistas dizem estar cautelosos após oito meses de tentativas frustradas de acordo. Helima Croft, do RBC Capital Markets, questionou se o aiatolá Mojtaba Khamenei, que não faz aparições públicas desde o início da guerra, realmente aprovou concessões que deixem à margem o “grupo favorável a concluir o trabalho”.
Russell Hardy, presidente-executivo da Vitol, disse na conferência Adipec, em Abu Dhabi, que há “muito medo e risco embutidos no preço” e fundamentos apertados.
O Goldman Sachs, em relatório divulgado no domingo (1º), avaliou que o Brent poderia chegar a US$ 140 em 2027 se a produção dos países do Golfo ficar 3,5 milhões de barris por dia abaixo da média de 2025. É uma hipótese condicionada à manutenção das restrições de oferta, não uma previsão.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pressiona o presidente dos EUA, Donald Trump, por uma retomada rápida da guerra, segundo pessoas a par da situação ouvidas pela Folha. Trump descartou ataques antes das eleições de meio de mandato e ainda não decidiu o que fará depois.
O próximo teste vem logo em seguida: as eleições americanas de terça-feira (3) e a decisão de Washington sobre retomar ou não os ataques.



