Os democratas venceram as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e vão controlar as duas Casas do Congresso a partir de janeiro de 2027. A Associated Press (AP) projetou a maioria democrata no Senado na noite de terça-feira (3), depois da vitória de Josh Turek sobre a deputada republicana Ashley Hinson em Iowa. Na Câmara, a CBS News projetou a virada pouco antes das 2h (horário de Brasília) desta quarta-feira (4), e a AP também passou a apontar maioria democrata.
O resultado encerra o controle republicano do Legislativo na metade do segundo mandato de Donald Trump. O presidente segue no cargo até janeiro de 2029, mas passa a governar com a oposição no comando das duas Casas.
Quem ganhou o Senado?
Antes da votação, os republicanos tinham 53 das 100 cadeiras, e os democratas, 45, mais dois independentes que votam com eles (Bernie Sanders e Angus King). Estavam em jogo 35 vagas, e os democratas precisavam de um ganho líquido de quatro cadeiras para a maioria.
Segundo a apuração da AP, os democratas tiraram ao menos seis cadeiras dos republicanos:
- Texas: James Talarico derrotou o procurador-geral do estado, Ken Paxton.
- Kansas: Adam Hamilton venceu o senador Roger Marshall.
- Iowa: Josh Turek derrotou a deputada Ashley Hinson.
- Ohio: Sherrod Brown venceu o senador Jon Husted, que ocupava a vaga deixada por JD Vance.
- Carolina do Norte: o ex-governador Roy Cooper venceu Michael Whatley na vaga aberta por Thom Tillis.
- Carolina do Sul: Annie Andrews derrotou a republicana Darline Graham.
Os democratas também mantiveram duas vagas que os republicanos tentavam tomar. Na Geórgia, Jon Ossoff foi reeleito contra o deputado Mike Collins. Em New Hampshire, Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu.
Os republicanos seguraram a Flórida, onde Ashley Moody venceu a deputada estadual Angie Nixon por 50,8% a 48,1% na eleição para o restante do mandato de Marco Rubio, e o Wyoming, com Harriet Hageman.
E a Câmara dos Representantes?
As 435 cadeiras estavam em disputa, e a maioria exige 218. Antes da eleição, os republicanos tinham 218 deputados, os democratas 214, havia um independente e duas vagas abertas.
A CBS News projetou a maioria democrata às 23h58 de terça no horário da costa leste (1h58 em Brasília). Entre as viradas citadas pela emissora e pela AP estão:

- Texas 23 e Texas 15, com Katy Padilla Stout e Bobby Pulido;
- Nova Jersey 7, onde Rebecca Bennett derrotou Tom Kean Jr.;
- Carolina do Norte 11, com Jamie Ager;
- três distritos da Pensilvânia, onde os republicanos Ryan Mackenzie, Scott Perry e Rob Bresnahan perderam a reeleição;
- Ohio 7 e Wisconsin 3, com as derrotas de Max Miller e Derrick Van Orden.
O tamanho final da maioria ainda depende de disputas apertadas que seguem em contagem.
Hakeem Jeffries vai presidir a Câmara?
É o caminho esperado. O líder democrata Hakeem Jeffries, de Nova York, deve ser indicado pelo partido para a presidência da Casa. A eleição do presidente da Câmara acontece no início do novo Congresso, em 3 de janeiro. Se for escolhido, Jeffries será o primeiro deputado negro a ocupar o cargo, segundo a AP.
Em discurso em Washington, ele disse que a vitória “não é um momento partidário, e sim patriótico”. O atual presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, afirmou que o partido não vai se deixar abater pelo resultado de uma eleição.
Como Trump reagiu?
Trump atribuiu a derrota ao fato de não estar na cédula. Na rede Truth Social, escreveu que, se estivesse, os republicanos teriam vencido “por larga margem”. Em entrevista à CBS, lembrou que tem o poder de veto para barrar projetos democratas. Ao jornal The New York Times, disse estar disposto a aceitar os resultados e a trabalhar com a oposição.
O que muda na prática a partir de 2027
- Projetos de lei: nenhuma proposta da Casa Branca avança sem o aval dos democratas. Trump, por sua vez, pode vetar o que o Congresso aprovar; derrubar um veto exige dois terços das duas Casas.
- Investigações: com a maioria, os democratas passam a presidir as comissões e ganham poder de convocação e de intimação de autoridades do governo.
- Indicações: o Senado é quem confirma ministros, embaixadores e juízes federais, incluindo da Suprema Corte. Com a nova maioria, as indicações de Trump dependem de votos democratas.
- Orçamento: o Congresso aprova os gastos federais, o que dá aos democratas peso nas negociações sobre o teto da dívida e o financiamento do governo.
Governadores e plebiscitos
Houve disputa para governador em 36 estados. Na Flórida, o deputado republicano Byron Donalds, aliado de Trump, venceu o democrata David Jolly e vai suceder Ron DeSantis, segundo projeção da AP. Em Ohio, a democrata Amy Acton derrotou o republicano Vivek Ramaswamy. Os democratas Wes Moore (Maryland), Josh Shapiro (Pensilvânia) e J.B. Pritzker (Illinois) foram reeleitos.
Mais de 140 consultas populares estavam nas cédulas em 40 estados. Na Virgínia, os eleitores aprovaram incluir o direito ao aborto na Constituição estadual, segundo a Gazeta do Povo; em outros três estados com o tema na cédula, a apuração ainda não havia terminado.
Como o mercado reagiu
Na manhã desta quarta, o índice do dólar recuava 0,36% e o juro do título de 10 anos do Tesouro americano caía para perto de 4,90%, segundo boletim da corretora XTB. Os contratos futuros do Nasdaq 100 chegaram a cair mais de 2% durante a madrugada e depois reduziram as perdas.
Próximos passos
A contagem continua nos estados com disputas apertadas, e o resultado oficial é certificado por cada estado nas próximas semanas. Os partidos escolhem suas lideranças em eleições internas ainda em novembro. O novo Congresso toma posse em 3 de janeiro de 2027. Para entender o que estava em jogo antes da votação, veja o guia do Trendou sobre as midterms.



