A Bahia abateu cerca de 390 mil bovinos entre abril e junho, o maior número da série histórica para um segundo trimestre. A alta foi de 0,9% sobre o mesmo período do ano passado, de acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).
Os números estão no Boletim de Conjuntura Agropecuária da Bahia, divulgado em setembro. No mesmo intervalo, o valor exportado de carnes subiu 17%, e o volume embarcado cresceu 15,1%.
O que moveu as exportações
O diretor-geral da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Paulo Sérgio Menezes Luz, aponta a demanda externa como um dos principais fatores. Segundo ele, os mercados já consolidados ampliaram o ritmo de processamento nos frigoríficos. “A forte demanda global, com destaque para mercados consolidados como a China, aumentou o ritmo de processamento nos frigoríficos locais para suprir a demanda externa”, afirma.
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Luz acrescenta que a maior disponibilidade de animais prontos para o abate e a oferta de grãos para a alimentação do rebanho também deram suporte à atividade.
Onde a produção está crescendo
De acordo com o diretor da Adab, a pecuária baiana passou por um processo de interiorização e intensificação, com o rebanho deslocando-se das áreas mais secas do semiárido para regiões de forte atividade agrícola. No oeste, aparecem entre os destaques da expansão:
- Santa Rita de Cássia
- Barreiras
- Formosa do Rio Preto
- Cotegipe
- Wanderley
- Angical
O cenário nacional e os obstáculos
No país, o mercado externo deixou de ser apenas destino para o excedente e passou a ocupar posição estrutural na cadeia da carne bovina. Isso levou frigoríficos a ampliar investimentos em plantas de abate, tecnologia, marketing e atuação comercial no exterior.
O presidente executivo da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Paulo Mustefaga, afirma que o primeiro semestre teve volume recorde de exportações, puxado por China, Estados Unidos e Chile. Segundo ele, o quadro mudou no segundo semestre, com menos embarques para a China depois que o país preencheu a cota estabelecida e com restrições de acesso ao mercado da União Europeia. O aumento das vendas para outros destinos, entre eles os Estados Unidos, tem reduzido parte desse impacto, de acordo com Mustefaga.
O que dizem os produtores
Humberto Miranda, presidente do Sistema Faeb/Senar, avalia que arroba mais cara não significa automaticamente mais renda para o produtor. “Se os custos de reposição, alimentação, mão de obra e demais insumos também avançam, a margem pode permanecer apertada”, explica.
Para Miranda, o desafio passa por produtividade, controle de custos e adequação às exigências dos compradores. Ele cita manejo de pastagens, genética, nutrição, sanidade, gestão e rastreabilidade do rebanho como pontos estratégicos. “O mercado internacional está cada vez mais exigente em relação à origem, segurança e sustentabilidade da carne”, afirma.



