O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou o Brasil de Índia ao comentar o resultado do 1º turno das eleições. Na publicação, feita na Truth Social entre a noite de domingo (4) e a madrugada desta segunda-feira (5), ele elogiou a velocidade da apuração brasileira para voltar a atacar o sistema de votação americano. Horas depois, trocou o nome do país.
Enquanto Trump não declarou apoio a nenhum dos candidatos, líderes de direita como o argentino Javier Milei e o israelense Benjamin Netanyahu parabenizaram Flávio Bolsonaro (PL), que terminou à frente de Lula (PT) e disputa com ele o 2º turno em 25 de outubro.
O que Trump escreveu
Segundo a tradução publicada pela Gazeta do Povo, Trump afirmou que “125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial da Índia” e que os resultados saíram “no MESMO DIA”. Em seguida, comparou o caso com Detroit, Filadélfia e Califórnia, onde, segundo ele, a contagem leva semanas. E concluiu: “A votação na América é CORRUPTA!!!”.
A Índia não teve eleição nacional no domingo. Além disso, lá o presidente não é escolhido pelo voto direto da população, como lembrou o SBT News. A última eleição geral indiana foi em junho de 2024, com 642 milhões de votantes, e o resultado final demorou três dias, de acordo com o texto do Estadão Conteúdo reproduzido pelo Diário do Grande ABC.

O número citado por Trump bate com o do Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que cerca de 125 milhões dos 158,7 milhões de eleitores aptos compareceram às urnas. Pouco mais de 33 milhões não votaram, uma abstenção de 21,08%.
Trump apoiou Flávio ou Lula?
Não. Segundo a CNN Brasil e a Jovem Pan, o presidente americano não parabenizou nenhum candidato e usou a eleição brasileira apenas como exemplo para criticar a apuração nos EUA. Os Estados Unidos têm eleições de meio de mandato em 3 de novembro, nas quais a popularidade de Trump será testada.
O TSE, por sua vez, afirmou que não constatou interferência estrangeira no 1º turno.
Quem parabenizou Flávio Bolsonaro
- Javier Milei (Argentina): chamou Flávio de “querido amigo”, falou em eleição “histórica” contra Lula, a quem chamou de comunista, e disse esperar trabalhar com ele para que os dois países sigam como grandes parceiros. Milei esteve no lançamento da candidatura de Flávio, em julho, segundo a CNN Brasil.
- Benjamin Netanyahu (Israel): desejou boa sorte na “final” e disse esperar restaurar a “extraordinária amizade” entre Israel e o Brasil. O chanceler israelense, Gideon Sa’ar, também cumprimentou o candidato.
- Abelardo de la Espriella (Colômbia): o presidente colombiano, empossado em agosto, escreveu que “a verdadeira mudança é derrotar a esquerda”.
- María Corina Machado (Venezuela): a líder da oposição venezuelana, Nobel da Paz de 2025, chamou Flávio de “vencedor deste primeiro turno”.
- Elon Musk: o dono do X compartilhou uma publicação que acusava a Usaid, agência americana de ajuda internacional, de ter atuado contra a família Bolsonaro no governo Joe Biden, e escreveu que o órgão se envolveu em interferência eleitoral pelo mundo.
A Jovem Pan também citou o vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, entre os políticos que comemoraram o desempenho do candidato do PL.

Por que Israel acompanha a eleição de perto
Os governos de Lula e de Netanyahu acumulam atritos desde que começou a guerra em Gaza. Em 2024, Lula foi declarado persona non grata por Israel depois de comparar a ofensiva em Gaza ao Holocausto. Desde 2025 o Brasil não tem embaixador em Tel Aviv, e Israel retirou a indicação para a embaixada em Brasília, segundo a CNN Brasil.
Houve críticas?
Sim. O ex-presidente colombiano Gustavo Petro, de esquerda, rebateu a mensagem de Espriella. Ele escreveu que a direita governa a América Latina há dois séculos e que a redução da desigualdade só avançou em governos progressistas, citando experiências do Brasil, do México, da Bolívia e do Uruguai, de acordo com a Gazeta do Povo.
O que vem agora
Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos no 1º turno; Lula ficou com 45,16%. A campanha de rua pode ser retomada a partir das 17h desta segunda, e a propaganda no rádio e na TV volta na sexta-feira (9). A votação do 2º turno será no domingo, 25 de outubro, das 8h às 17h, no horário de Brasília.
Correção (05/10, 13h05): o número exato de eleitores ausentes citado antes (33.329.493) era de uma parcial e não batia com o percentual de abstenção; o trecho foi ajustado.



