A Copel substituiu 2.061 postes, seis torres de alta tensão e 113 quilômetros de cabeamento rompido ao longo de setembro, no que a empresa descreve como o pior setembro climático das últimas décadas no Paraná. A distribuidora também trocou equipamentos avariados para restabelecer a energia.
Segundo a Copel, a rede foi atingida por quatro grandes eventos climáticos severos em sequência. Entre os fenômenos do mês estiveram rajadas acima de 100 km/h, volume recorde de chuva para setembro, granizo e três tornados confirmados pelo Simepar, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná.
Qual foi o pior dia
O pico de interrupções ocorreu em 22 de setembro e alcançou 257,9 mil imóveis em todas as regiões do estado. Naquele dia, a Copel mobilizou 2,7 mil profissionais, divididos em 1.187 equipes simultâneas. O trabalho incluiu a troca de 421 postes, 23 quilômetros de redes de média tensão e duas torres de alta tensão de 138 mil volts.
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Em 28 de setembro, outro temporal interrompeu o fornecimento a 257,7 mil unidades consumidoras, em maior volume nas regiões Noroeste, Oeste e Centro-Sul. A Copel empregou 3.039 profissionais no religamento.
Em 10 de setembro, os eventos severos causaram danos extensos ao sistema em todas as regiões, e a empresa reuniu 2.826 profissionais. Em 1º de setembro, 2.961 profissionais atuaram para religar 102 mil unidades, no pico de ocorrências iniciadas no último dia de agosto.
As seis torres substituídas no mês ficam nas regiões Noroeste, Sudoeste, Vale do Ivaí e Campos Gerais.
O que explica um setembro tão extremo
A Copel atribui os eventos ao fenômeno chamado de Super El Niño, que aquece de forma anormal as águas do Oceano Pacífico Equatorial e altera a circulação atmosférica e os padrões de chuva no planeta.
De acordo com o Simepar, o volume de chuva em setembro bateu marcas históricas em estações com 29 anos de operação, como Cambará, Cerro Azul, Ponta Grossa e Telêmaco Borba. Curitiba somou 339,4 milímetros, valor próximo do maior já medido.
Os ventos acima de 100 km/h atingiram várias regiões em semanas consecutivas e chegaram a 124,9 km/h em Apucarana. Houve estragos severos em Umuarama e Paranavaí. O Simepar confirmou tornados em Francisco Alves, Espigão Alto do Iguaçu e Goioerê.
No Vale do Ribeira, as chuvas deixaram municípios isolados. A recuperação exigiu seis dias de trabalho contínuo de mais de 300 profissionais, que instalaram 196 postes novos e recuperaram 14,6 mil metros de cabos.
Como a Copel diz ter se preparado
Gustavo Theodor Carvalho, diretor de Operações e Manutenção da Copel Distribuição, afirmou que a companhia acompanha o clima de forma permanente com apoio do Simepar. Segundo ele, isso permite deslocar equipes e recursos antes para as áreas com maior risco de impacto.
O diretor-geral da Copel Distribuição, Denis Mollica, disse que a empresa “conta com equipes preparadas e um plano de contingência bem estruturado para atuação no antes, durante e depois dos eventos climáticos”.
Quais foram os maiores desafios
Para Paulo Valadão, superintendente de Construção e Manutenção de Redes, o principal obstáculo foi a frequência dos eventos em pouco tempo, somada aos danos em estradas e acessos. Ele relatou que muitos defeitos estavam em áreas rurais, onde rajadas derrubaram postes e árvores sobre a rede.
Nesses locais de difícil acesso, segundo Valadão, foi preciso usar tratores para puxar os caminhões das equipes de reconstrução.
Sobre os próximos episódios, Valadão afirmou: “Estamos preparados para os próximos desafios com nossas equipes totalmente engajadas para atender a todos os clientes com qualidade e segurança”.


