Setembro de 2026 foi o mais chuvoso em 25 anos em diversas cidades do Paraná, segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná). Em Curitiba, choveu 339,4 milímetros (mm), mais que o dobro da média de 129,5 mm para o mês. O volume ficou perto do maior já registrado na estação em setembro: 359,4 mm, em 1998.
De acordo com o Simepar, o El Niño, que já estava em forte intensidade sobre o Oceano Pacífico Equatorial, deixou mais calor e umidade disponíveis na atmosfera. As frentes frias passaram com mais frequência e maior intensidade pelo estado, o que gerou grandes acumulados de chuva.
Quais cidades bateram recorde de chuva
Dezoito estações do Simepar registraram o maior volume de setembro desde o início de suas medições. Entre elas:
- Antonina: 476,8 mm (média de 157,4 mm)
- Jaguariaíva: 359,2 mm (média de 102,6 mm)
- Cerro Azul: 363,4 mm (média de 110,1 mm)
- Telêmaco Borba: 356,6 mm (média de 133,3 mm)
- Ponta Grossa: 341,4 mm (média de 124 mm)
- Cambará: 332,6 mm (média de 89,2 mm)
- Pinhais: 274,2 mm (média de 122,8 mm)
- Apucarana: 272,4 mm (média de 109,3 mm)
Também bateram o recorde estações em Guaraqueçaba, Paranaguá, Fazenda Rio Grande, Cornélio Procópio, Cruzeiro do Iguaçu, Loanda, Santa Maria do Oeste, Santo Antônio da Platina, no Distrito de Horizonte (em Palmas) e uma segunda estação em Antonina, da APPA. As séries variam: as mais antigas começaram em 1997 e as mais recentes em 2022.
Tempestades com ventos acima de 100 km/h
As rajadas de vento durante as tempestades ultrapassaram 100 km/h em várias cidades. O Simepar identificou dois tornados em setembro: um em Francisco Alves, às 17h do dia 9, e outro em Goioerê, às 16h do dia 11. Até o momento, a análise dos danos não permitiu classificar os dois na escala Fujita.
Houve ainda vários episódios de downburst, também chamado de microexplosão atmosférica.
Temperaturas abaixo da média
Com mais nuvens e menos sol, as temperaturas ficaram entre a média e abaixo dela em todo o Paraná. No Norte e no Noroeste, as médias ficaram de 1,3°C a 1,8°C abaixo da histórica em cada estação. A mínima do mês foi de -0,1°C, registrada em General Carneiro e no Distrito de Horizonte, em Palmas, no feriado de 7 de setembro.
No fim do mês, porém, Capanema marcou 39,9°C no dia 27, a temperatura mais alta do Paraná em 2026 até agora. O serviço Alerta Geadas, do Simepar em parceria com o IDR-PR, encerrou as atividades do ano em setembro. Desde maio, enviou 30 alertas de geada com potencial de causar danos à agropecuária.
O que esperar de outubro a dezembro
O Boletim nº 4 do Painel El Niño, divulgado na quarta-feira (30) pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) em parceria com outros órgãos federais, aponta 95% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro.
Para a Região Sul, da qual o Paraná faz parte, a previsão mantém chuva acima do normal e risco de cheias. O boletim indica, porém, redução gradual da possibilidade de cheias até dezembro. Os órgãos ressaltam que as projeções são tendências sazonais e que o impacto em cada local depende da evolução das condições meteorológicas.
No Rio Grande do Sul, meteorologistas ouvidos pela GZH preveem outubro mais chuvoso que o normal, com maior risco de temporais entre a segunda e a terceira semana do mês. Segundo o boletim, o El Niño deve continuar influenciando o clima brasileiro pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
