Lito Sousa, youtuber e especialista em aviação, morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos. Ele havia sido diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob menos de dois meses antes e era criador do canal Aviões e Músicas, que tem 3,6 milhões de seguidores no YouTube.
A família comunicou a morte nas redes sociais. Em um vídeo, a esposa, Mila Seidl, falou sobre a vida do marido. “Eu não sei explicar a sua partida. Talvez ninguém saiba. Mas olhando pra vida que você viveu, eu sei que você cumpriu a sua missão”, disse ela.
Joselito Geraldo de Sousa trabalhou 36 anos na aviação, 27 deles como mecânico de aeronaves em empresas como Varig, Transbrasil e United Airlines. De 2015 a 2021, dividiu o tempo entre esse emprego e o canal. Em 2021, ao notar que tinha mais seguidores do que a página da companhia onde trabalhava, passou a se dedicar só ao audiovisual.
Como começou no YouTube
No Aviões e Músicas, Lito falava de acidentes aéreos, turbulência, manutenção e procedimentos de segurança. Também comentou casos de grande repercussão, como os acidentes que mataram os Mamonas Assassinas, a Chapecoense e a cantora Marília Mendonça.

Em entrevista ao Estadão em 2025, ele contou que a saída do emprego trouxe um custo fixo alto, com funcionários para pagar. Pouco depois, aconteceu o acidente com o avião de Marília Mendonça, e ele passou a ser referência no assunto. “O YouTube se tornou uma grande vitrine”, disse.
O que era o Lito Group
Além do canal, Lito criou outros negócios, reunidos no Lito Group, com sede em Guarulhos, na Grande São Paulo. A empresa começou com um CNPJ e chegou a quatro, com estas frentes:
- cursos online e semipresenciais para mecânicos, pilotos e comissários de bordo, além de pós-graduação em Engenharia Aeronáutica;
- produção audiovisual;
- palestras e cursos corporativos;
- inspeção de peças de avião.
Segundo o Estadão, até 2025 o grupo tinha cerca de 20 funcionários com carteira assinada, além de contratados por projeto. Lito também escreveu dois livros: “Onde Morrem os Aviões” e “Medo de Avião Nunca Mais”, este lançado junto com um curso para quem tem medo de voar.

Como ele descobriu a doença
Lito havia sido diagnosticado com câncer de próstata em estágio inicial. A Metrópoles informa que isso ocorreu no início de 2026; o Estadão fala em cerca de quatro meses antes de sua publicação. Enquanto organizava o tratamento, ele notou que perdia o controle motor do braço e da mão esquerdos ao digitar roteiros.
Os sintomas se agravaram numa viagem aos Estados Unidos. De volta ao Brasil, ele procurou o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde recebeu o diagnóstico de Creutzfeldt-Jakob.
A doença é rara, fatal e não tem cura, segundo o Estadão. Ela está ligada a proteínas anormais, os príons, que se acumulam no cérebro e afetam os neurônios. De acordo com a Metrópoles, cerca de 90% dos pacientes morrem em até um ano. No Brasil, a notificação é obrigatória desde 2005, e de então até 2021 foram registradas 1.576 notificações de casos suspeitos.
O medicamento experimental
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu a Lito uma autorização excepcional para acessar a substância ALN-6457, um medicamento experimental contra a doença. O remédio chegou ao Brasil em 11 de setembro. Lito foi a primeira pessoa a usá-lo, e até então ele havia sido testado só em animais.



