O uso do rotativo do cartão de crédito, a linha de juros mais cara do mercado, bateu recorde em 2026. De janeiro a agosto, os brasileiros recorreram a R$ 311 bilhões nessa modalidade, contra R$ 266 bilhões no mesmo período de 2025, segundo dados do Banco Central compilados pelo Terra. Em todo o ano passado, foram R$ 403 bilhões.
O custo também subiu. A taxa média do rotativo para pessoas físicas passou de 436,2% ao ano em julho para 449,4% ao ano em agosto, segundo o BC. No parcelado, a taxa foi de 189,3% para 192,1%.
A proposta de Lula
Na quinta-feira (1º), em entrevista ao Flow Podcast gravada no Palácio da Alvorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, disse que o governo discute com o Banco Central limitar o número de cartões. “Nós vamos proibir os bancos de darem mais de um cartão de crédito para as pessoas”, afirmou. Ele chamou o cartão de “um crime” e citou juros de “493%, 500%”.
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A entrevista foi ao ar no horário em que estava marcado o último debate presidencial do primeiro turno, na TV Globo, que acabou cancelado depois de decisões judiciais. Lula não participaria do debate.
O que ainda não se sabe
- Não há texto: o governo não apresentou minuta, prazo nem explicou se a regra valeria para quem já tem mais de um cartão.
- Quem decidiria: as regras do cartão de crédito costumam sair do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central. O BC tem autonomia formal desde a Lei Complementar nº 179/2021. Lula disse que a equipe econômica e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, discutem o tema.
- Regras que já existem: o banco só pode enviar ou habilitar um cartão com pedido ou autorização expressa do cliente, e todo aumento de limite precisa de aprovação prévia. Desde a Lei nº 14.690/2023, do programa Desenrola, juros e encargos do rotativo não podem passar do valor da dívida original.
- Bancos: as reportagens consultadas não trazem manifestação da Febraban nem da Abecs, que representam bancos e empresas de cartão.
Por que o tema pesa no bolso
O rotativo é acionado quando o cliente paga menos que o total da fatura. Por regra do CMN, o saldo só pode ficar no rotativo por um mês; depois, o banco precisa oferecer um parcelamento, com juros menores. Mesmo assim, o rotativo segue como uma das modalidades mais caras do sistema financeiro. Cerca de 40 milhões de clientes tinham dívida no rotativo no começo de 2026, segundo o levantamento citado pelo Terra.
Se não der para pagar a fatura inteira, compare o parcelamento da própria fatura com um empréstimo pessoal ou consignado, que costumam ter juros menores que o rotativo.



