A rede americana de hambúrgueres Shake Shack vai desembarcar no Brasil no primeiro semestre de 2027, com a primeira unidade em São Paulo. A operação ficará com a BOLD, holding dona do Outback, Abbraccio e Aussie, que fechou acordo para ser master-franqueada da marca no país. A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Brazil Journal.
O contrato prevê ao menos 40 lojas até 2036. O endereço da primeira unidade ainda não foi definido.
Como funciona a parceria
Como master-franqueada, a BOLD ficará responsável por financiar a abertura dos restaurantes e tocar a operação. Mauro Guardabassi será o futuro presidente da Shake Shack Brasil.
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O CEO da BOLD, Pierre Berenstein, vê potencial maior do que o mínimo fixado em contrato. Para ele, o mercado brasileiro comportaria “centenas de lojas” nos próximos anos.
Qual é o diferencial da marca
A BOLD pretende posicionar a Shake Shack na faixa premium, disputando espaço com redes como Madero e Cabana Burger. Segundo Carlos Eduardo Martins, sócio da Vinci Partners, o setor de hamburguerias no Brasil movimenta quase R$ 40 bilhões e avança de 5% a 7% ao ano, com forte presença do delivery.
Guardabassi apontou dois pontos de diferença: a cultura de hospitalidade e os ingredientes e o produto. “Não que os concorrentes não tenham qualidade, mas a Shake Shack tem características muito próprias que atraem os consumidores”, afirmou.

De acordo com Berenstein, uma pesquisa feita no ano passado com 4 mil consumidores brasileiros mostrou alto reconhecimento da marca, mesmo sem lojas no país. Na medição de lembrança não estimulada, a rede chegou a nível semelhante ao de marcas que estão aqui há décadas.
A história da Shake Shack
Criada em Nova York pelo restaurateur Danny Meyer, a rede nasceu de um carrinho de cachorro-quente no Madison Square Park, montado para arrecadar dinheiro para revitalizar a praça. As filas levaram à instalação de um quiosque fixo e, depois, à expansão.
Hoje a Shake Shack soma mais de 700 unidades em 20 países. Na América Latina, está apenas no México e no Panamá.
Oito anos de negociação
As conversas começaram em 2018, quando a BOLD ainda fazia parte da Bloomin Brands e a Vinci Partners não era investidora. A pandemia interrompeu o diálogo em 2020. A ideia voltou à mesa no início de 2025, depois da entrada da Vinci na holding.
A Vinci quer transformar a BOLD numa “house of brands”, reunindo marcas populares entre os consumidores. Martins, que é sócio da Vinci, co-gestor de private equity e ficou à frente do investimento na holding, disse que a Shake Shack é uma “love brand” nos 20 países em que opera.
Como está a BOLD em 2026
- 13 unidades abertas no ano: 12 do Outback e 1 do Abbraccio
- Faturamento previsto: R$ 3,5 bilhões
- Receita de janeiro a setembro: alta de 6%
- Same-store sales (vendas em lojas comparáveis): 2,1%
- Tráfego de clientes: alta de 1,8%
Os próximos passos são a definição do endereço da primeira loja em São Paulo e a inauguração, prevista para o primeiro semestre de 2027.



