A ex-senadora Kátia Abreu, coordenadora da campanha de Lula no Tocantins, disse em reunião da cúpula do PT nesta terça-feira (6) que o comando da campanha é formado por “paulistas sem voto” e pediu “menos Janja e mais Alckmin”. Segundo O Globo, foi a fala mais aplaudida do encontro, que discutiu o resultado do primeiro turno.
A reunião ocorreu no auditório da sede do partido, em Brasília, com cerca de cem presentes: membros da executiva, deputados e coordenadores estaduais da campanha.
Segundo relatos dos presentes, Kátia Abreu falou em “paulistas sem voto”. O Globo lembra que Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, foi derrotado no primeiro turno por Tarcísio de Freitas (Republicanos). O coordenador-geral da campanha presidencial, Edinho Silva, que também preside o PT, se elegeu deputado federal por São Paulo.
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O que Kátia Abreu criticou
Ela questionou a coordenação nacional da campanha, a comunicação e a atuação da primeira-dama Janja da Silva. Ao falar dos motivos que levaram Flávio Bolsonaro (PL) a ficar na frente no primeiro turno, afirmou que a comunicação da campanha de Lula seguiu um caminho equivocado.
Antes de tratar de Janja, a ex-ministra ressalvou que só entraria no assunto por ser mulher. Disse considerar um erro a primeira-dama cantar música gospel nos comícios do marido, o que aconteceu no primeiro turno. Também defendeu que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tivesse participação maior na campanha.

Quem é Kátia Abreu
Ela se filiou ao PT neste ano, depois de passar, entre outros, por DEM, PP e MDB. Como deputada, liderou a bancada ruralista. Foi presidente da CNA, entidade que reúne o setor agropecuário, e ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff.
Que outras críticas surgiram na reunião
Outros dirigentes classificaram como apropriação da fé o gesto de Janja cantar “Tapete Vermelho” nos comícios, já que ela não é evangélica. Na avaliação deles, isso desagrada ao público que a campanha quer atrair.
Na comunicação, houve queixa geral de que o foco deveria ser o futuro, e não o legado de Lula, porque os eleitores não votariam pensando no passado. Edinho foi criticado pela escolha das agendas nos estados: participantes disseram que Lula deveria visitar mais lugares de força bolsonarista, como o Centro-Oeste e o Sul de Minas.
A reunião chegou a ser interrompida quando Edinho deixou o auditório por alguns minutos. Os participantes decidiram esperar a volta dele porque, segundo O Globo, entendiam que ele precisava ouvir o que os membros do partido tinham a dizer.

O que diz a coordenação da campanha
Edinho afirmou que a reunião serviu para alinhar a estratégia da etapa final da disputa. Segundo ele, a comunicação terá mudanças para destacar a diferença entre os dois candidatos.
“No primeiro turno esse tipo de confronto você não consegue fazer porque são vários candidatos. No segundo turno não, são dois candidatos, portanto são dois projetos distintos de país”, disse.
Edinho também afirmou ser favorável a que Alckmin fique mais perto da campanha no segundo turno e faça parte da coordenação, porque ele “ajuda a ampliar diálogos com setores da sociedade”.
O que dizem aliados de Lula
Coluna do SBT News informou que reuniões de Lula com aliados para corrigir erros de campanha chegaram à conclusão de que Janja apareceu demais e Alckmin, de menos. Segundo a coluna, ministros e ex-ministros já haviam levado a Lula reclamações sobre a presença da primeira-dama, que, na avaliação deles, “atrapalharia” conversas mais pessoais com o presidente.
A coluna também diz que Alckmin deve aparecer mais nesta nova fase, especialmente para o eleitorado paulista. Os detalhes das mudanças na comunicação não foram divulgados pela coordenação.



