Quarta-feira, 28 de outubro de 2026
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Taxa das blusinhas: o que é, quanto se paga hoje e o que muda em 2027

Imposto de 20% sobre compras de até US$ 50 acabou, mas a CBS, com alíquota calculada em 11,3% pelo TCU, deve voltar a pesar nas encomendas internacionais a partir de janeiro

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Resumo rápido

  • O imposto de importação de 20% sobre compras de até US$ 50 deixou de ser cobrado em maio e foi extinto por lei em setembro.
  • Hoje essas encomendas pagam só o ICMS, de 17% a 20% conforme o estado; acima de US$ 50, a alíquota federal caiu para 30%.
  • Em 2027 entra a CBS, sem limite de valor; o TCU calculou 11,3% e o Senado decide até 15 de dezembro.

A chamada “taxa das blusinhas”, o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, não é cobrada desde maio e foi extinta por lei em setembro. Mas a conta dessas encomendas deve voltar a subir em janeiro de 2027, quando a CBS, o novo tributo federal da reforma tributária, começa a valer de verdade. Nesta quarta-feira (28), o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o cálculo de 11,3% para a alíquota de referência desse tributo.

O tema voltou ao topo das buscas no Google. Abaixo, o que se paga hoje numa compra em site estrangeiro e o que já se sabe sobre o próximo ano.

O que é a taxa das blusinhas?

É o apelido do imposto de importação de 20% que passou a incidir, em agosto de 2024, sobre encomendas internacionais de até US$ 50 compradas por pessoas físicas, em geral em plataformas asiáticas de varejo on-line. O nome vem do peso das roupas femininas nesse tipo de compra.

Leia também: CBS de 11,3%: o que é a alíquota proposta pelo TCU e o que muda em 2027

Até ali, essas remessas eram isentas do tributo federal. Segundo o Diário do Comércio, a Receita Federal arrecadou R$ 4,5 bilhões com a cobrança desde que ela entrou em vigor.

A taxa das blusinhas acabou?

Sim. O fim veio em duas etapas:

  • 12 de maio de 2026: o governo publicou a Medida Provisória 1.357, que autorizou o Ministério da Fazenda a reduzir a alíquota, inclusive a zero. A cobrança de 20% parou a partir daí.
  • 3 de setembro: a Câmara aprovou a MP em votação simbólica; o Senado confirmou o texto em seguida, perto do prazo de validade da medida.
  • 10 de setembro: o presidente Lula sancionou a lei de conversão, segundo a Rádio Senado.

Quanto se paga hoje numa compra internacional?

  • Até US$ 50 (cerca de R$ 257): imposto de importação zerado.
  • De US$ 50 a US$ 3 mil: a alíquota caiu de 60% para 30%.
  • ICMS: continua sendo cobrado em todas as faixas. A lei não mexeu no imposto estadual, que fica entre 17% e 20%, conforme o estado.

Ou seja: a compra pequena ficou mais barata, mas não saiu de graça. O ICMS segue na nota.

O que o Congresso acrescentou à lei

A relatora no Senado, Leila Barros (PDT-DF), e os deputados mudaram o texto original da MP. Entre os pontos aprovados:

  • isenção do imposto de importação para remédios sem similar nacional, como os destinados a doenças raras ou negligenciadas;
  • avaliação periódica do impacto da isenção pelo Ministério da Fazenda, a primeira em três meses e as seguintes a cada seis meses, com foco em roupas, calçados, acessórios, brinquedos e cosméticos;
  • revisão anual do regime pelo Congresso;
  • autorização para o governo limitar a quantidade e a frequência de compras, para impedir que lojistas fracionem remessas e usem a isenção para revender.

A taxa vai voltar em 2027?

O imposto de importação de 20% não volta, a não ser que uma nova norma o recrie. O que muda é outro tributo. A partir de 1º de janeiro de 2027, a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) passa a ser cobrada com alíquota cheia, no lugar do PIS e da Cofins, depois de um ano de teste em 2026.

A CBS segue a mesma lógica para produtos nacionais e importados e não tem o limite de US$ 50 que existia no imposto de importação, conforme reportagem do g1 republicada pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). Na prática, as encomendas de baixo valor devem voltar a ter um tributo federal no preço.

Qual será a alíquota?

Ainda não está fechada. O que se sabe até agora:

  • 28 de outubro: o TCU aprovou o cálculo de 11,3% (11,3468%, arredondado) para a alíquota de referência da CBS em 2027, informou a Agência Brasil.
  • Até 15 de dezembro: o Senado precisa aprovar a resolução que fixa o percentual. Se não votar a tempo, vale o número do TCU.
  • Estimativas anteriores eram menores: a consultoria Roit falava em 9,43%, e o governo tinha projetado 8,8% em 2024.

Em junho, o Canaltech simulou o efeito com a estimativa da Roit, para uma compra de R$ 100 e ICMS de 17%: o consumidor pagaria R$ 144,58 com a antiga taxa de 20%, R$ 120,48 no regime atual (só ICMS) e R$ 131,84 em 2027. Com uma alíquota maior, como a calculada pelo TCU, o valor final tende a subir um pouco mais.

E depois de 2027?

O ICMS continua valendo até 2028. De 2029 a 2032, ele e o ISS municipal serão substituídos aos poucos pelo IBS, o imposto de estados e municípios da reforma. O IDV estima que, ao fim da transição, CBS e IBS somem cerca de 26,5% sobre as compras on-line, com a mesma carga para lojas brasileiras e estrangeiras, o que o setor de varejo nacional defende como correção de concorrência.

Próximo passo

A validação do TCU segue ao Senado até sexta-feira (30). Os senadores têm até 15 de dezembro para confirmar os 11,3% ou fixar outro percentual. Até lá, as compras de até US$ 50 continuam pagando apenas o ICMS do estado de destino.

Leia também: CBS de 11,3%: o que é a alíquota proposta pelo TCU e o que muda em 2027.

Fontes consultadas

Rádio Senado — Lei oficializa fim da 'taxa das blusinhas' Agência Brasil — MP da "taxa das blusinhas" é aprovada na Câmara e vai ao Senado Agência Brasil — TCU aprova cálculo da alíquota de referência da CBS em 11,3% Diário do Comércio — Lula assina sanção da lei do fim da taxa das blusinhas a 24 dias da eleição IDV / g1 — 'Taxa das blusinhas': governo volta a tributar compras internacionais de baixo valor em 2027 Canaltech — "Taxa das blusinhas" vai voltar para deixar suas compras mais caras; veja quanto Tribuna de Jundiaí — 'Taxa das blusinhas' acabou, mas compras de até US$ 50 terão nova cobrança em 2027

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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