Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) fizeram no domingo (18), na Band, em São Paulo, o primeiro confronto direto do segundo turno. Foram cerca de duas horas de debate, com mediação de Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, e o tom ficou mais perto da troca de acusações do que da apresentação de planos. A votação é no domingo, 25 de outubro.
O encontro foi organizado pela Band em parceria com Estadão, TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan. Flávio chegou acompanhado do governador Tarcísio de Freitas e de aliados como Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Nikolas Ferreira. Lula foi ao estúdio com Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva, segundo a CNN Brasil.
Como foi o formato
O debate teve três blocos. No primeiro, depois de uma pergunta dos apresentadores para cada candidato, houve um confronto livre de 30 minutos, com 15 minutos de fala para cada um. No segundo e no terceiro, jornalistas fizeram perguntas e os candidatos se questionaram diretamente, com direito a réplica e tréplica. O programa terminou com as considerações finais.
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O que cada um disse sobre economia
Lula perguntou se Flávio adotaria medidas parecidas com as do presidente argentino Javier Milei, conhecido pelo corte de gastos. O senador respondeu que o alvo seria a corrupção: “O que eu vou fazer, Lula, é tesouraço na corrupção do seu governo”, disse, de acordo com o Poder360.
Questionado sobre quem seria atingido pelos cortes, Flávio citou despesas do presidente e da primeira-dama, Janja da Silva, e mencionou o valor de R$ 7 bilhões, sem apresentar no debate a origem do número. Lula contestou e pediu ao eleitor que conferisse: “Vai no Google, mas vai ver que é mais uma mentira, porque ele é preparado para mentir.”
Na sequência, o presidente chamou o adversário de “malandro carioca”. No início do segundo bloco, Flávio disse se solidarizar com os moradores do Rio de Janeiro antes de responder a uma pergunta sobre o SUS.
Flávio também anunciou que criaria um Ministério da Prosperidade e prometeu comprar dívidas de brasileiros, com congelamento de pagamentos por seis meses para pessoas físicas e por um ano para empresas. Segundo o Correio Braziliense, ele não detalhou as atribuições da pasta nem de onde sairia o dinheiro.

Saúde: o “padrão Einstein” no SUS
O candidato do PL apresentou Cláudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Albert Einstein, como seu futuro ministro da Saúde e prometeu levar o “padrão Einstein” à rede pública. Lula perguntou se a proposta significaria privatizar o SUS e questionou a experiência do senador na área.
Segurança pública e facções
Flávio disse que vai classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, “declarar guerra ao narcoterrorismo” e abrir 500 mil vagas no sistema penitenciário.
Lula defendeu a PEC da Segurança e afirmou que criará o Ministério da Segurança Pública se a proposta for aprovada. O presidente disse ainda que Flávio poderia ter votado a favor da PEC.
Corrupção: Luchsinger, Vorcaro e o desafio dos sigilos
O bloco mais tenso girou em torno de suspeitas que envolvem pessoas próximas aos dois candidatos. Nenhuma das acusações feitas no palco foi comprovada durante o debate.
- Caso Luchsinger: Flávio perguntou sobre a relação da lobista Roberta Luchsinger com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Lula respondeu que o caso é da Polícia Federal e que a PF deve investigar quem for preciso, inclusive o filho.
- Caso Vorcaro: Lula cobrou explicações sobre R$ 134 milhões que, segundo ele, teriam sido pedidos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio não respondeu diretamente e citou um áudio divulgado pela revista Veja, afirmando que Vorcaro teria repassado R$ 30 milhões ao Instituto Lula.
- Sigilos: perto do fim, Lula propôs que os dois abrissem as contas bancárias e os sigilos telefônicos, deles e das famílias, e entregassem os documentos aos presidentes do STF e do TSE antes da eleição. “Eu abro de toda minha família, e você abre da sua família”, disse, segundo a Band. O Correio Braziliense registrou que Flávio desconversou; não houve resposta sobre se aceita a proposta.
Estados Unidos e terras raras
Lula perguntou se Flávio entregaria terras raras e minerais críticos aos Estados Unidos e disse que a família Bolsonaro está “subordinada aos interesses americanos”, com menção ao deputado Eduardo Bolsonaro. Flávio respondeu citando o tarifaço americano e acusou o governo de não defender as empresas brasileiras.
Como terminou
O encerramento foi tumultuado. Quando Lula se preparava para concluir, apoiadores na plateia começaram a gritar e os mediadores tiveram dificuldade para retomar o controle, de acordo com o Correio Braziliense. A Polícia Militar foi chamada para verificar uma suspeita de bomba em um carro perto da emissora, que acabou descartada.
O que vem agora
O próximo encontro previsto entre os dois é o debate da Globo, marcado para sexta-feira (23), segundo o calendário publicado pela Gazeta do Povo; os debates da Record e do pool SBT/RedeTV!/CNN Brasil foram cancelados. O eleitor volta às urnas no domingo (25), das 8h às 17h, horário de Brasília.



