No primeiro turno da eleição presidencial, 485.512 eleitores do Distrito Federal não escolheram nenhum candidato à Presidência. Eles se abstiveram, anularam o voto ou votaram em branco. Somando os 33 municípios do Entorno, que integram a Região Integrada de Desenvolvimento (Ride), o total chega a 706.352 pessoas.
Os números vêm de um levantamento do Metrópoles a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a reportagem, esse grupo pode ser decisivo no 2º turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Quanto o DF deixou de escolher
No Distrito Federal, a abstenção foi de 18,90%. Os votos nulos somaram 1,81% e os brancos, 1,38%.
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No Entorno, a média de eleitores que não votaram em nenhum candidato foi de 26,71%. As maiores taxas aparecem em Cavalcante (33,28%), Vila Boa (31,03%) e Alto Paraíso de Goiás (29,51%).
Onde Flávio e Lula foram melhor
No DF, Flávio teve 51,31% dos votos, contra 38,11% de Lula. O petista venceu em apenas duas regiões administrativas: Asa Sul e Asa Norte.
No Entorno, que reúne 29 municípios de Goiás e quatro de Minas Gerais, Flávio liderou em 28 dos 33, contra cinco de Lula. A média na região foi de 49,60% para Flávio e 34,56% para Lula.

- Maiores votações de Flávio: Cristalina (64,41%), Unaí (MG) (63,26%), Abadiânia (60,48%) e Alexânia (59,54%).
- Maiores votações de Lula: Cavalcante (71,43%), Alto Paraíso de Goiás (52,58%), Vila Boa (48,84%), Flores de Goiás (44,43%) e Simolândia (44,02%).
Segundo o Metrópoles, os municípios em que Lula foi melhor costumam ser associados ao ecoturismo, a comunidades tradicionais e a assentamentos rurais.
O que explica o resultado
O analista político e advogado Melillo Dinis, citado pelo Metrópoles, vê relação entre o eleitor e o chamado “rejeitor”:
“No Brasil, tradicionalmente o eleitor escolhe principalmente pela identificação com um candidato ou projeto. O rejeitor, por outro lado, orienta sua decisão sobretudo por aquilo que deseja impedir.”
Para Dinis, a força do campo bolsonarista e a rejeição a Lula e ao PT podem ter contribuído para a vitória de Flávio no DF e no Entorno. Ele afirma que vencer em 28 dos 33 municípios revela amplitude territorial, mas “não mede sozinho a vantagem eleitoral”.

O que pode mudar no 2º turno
Segundo Dinis, Flávio começa com uma vantagem inicial nesse território, mas o resultado não está congelado. Ele avalia que Lula pode reduzir a distância se mobilizar parte dos ausentes e conquistar eleitores que escolheram outras candidaturas. Flávio, por sua vez, pode ampliá-la se conservar a base e agregar mais votos de rejeição ao PT.
O Metrópoles lembra que esses eleitores sentem de forma direta os problemas de mobilidade, saúde e segurança da região de Brasília. Segundo o veículo, os dois candidatos terão de convencê-los a votar.
No país, Flávio venceu o primeiro turno com 1,87 ponto percentual à frente de Lula, vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos, de acordo com o levantamento.



