O Sistema Cantareira voltou a ter mais da metade da sua capacidade útil. Nesta sexta-feira (30), o manancial marcou 50,77%, segundo dados da Sabesp. É a primeira vez em mais de um ano e quatro meses que o nível fica acima de 50%: em 17 de junho de 2025, o sistema estava exatamente em 50%, e no dia seguinte caiu para 49,8%.
A represa já havia ultrapassado a marca na quinta-feira (29), quando chegou a 50,10%.
O Cantareira é o principal manancial da Grande São Paulo e reúne seis represas: Jaguari, Jacareí, Atibainha, Cachoeira, Paiva Castro e Águas Claras. As três primeiras ficam no Vale do Paraíba e na região bragantina.
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O que fez o nível subir?
As chuvas acima da média em outubro elevaram os reservatórios. Segundo a Sabesp, a região do Cantareira recebeu 210,1 mm no mês, contra média histórica de 130 mm, ou 61,7% a mais. No dia 1º, o sistema estava em 41,1%. A alta foi de 9,6 pontos percentuais.
O Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que reúne o Cantareira e outros seis sistemas, foi de 55,2% para 61,7% no período. O Alto Tietê subiu de 54,2% para 59,9%. O Rio Grande chegou a 99,3% e o Cotia, a 103,7%. O Guarapiranga ficou em 94,9% durante o mês inteiro, sem variação.
Por que a pressão da água segue reduzida?
O Cantareira continua na faixa de atenção da Agência Nacional de Águas (ANA), que vai de 40% a menos de 60%. Para voltar à faixa de operação normal, precisa de 60% ou mais. Segundo a ANA, ele deve permanecer na faixa de atenção em novembro, período em que a captação fica limitada a 31 mil litros por segundo.
A redução noturna da pressão na rede também continua. Em outubro, o Comitê de Integração, formado por Arsesp e SP Águas, manteve a medida das 21h às 5h. O governo paulista calcula que ela já poupou mais de 209 bilhões de litros desde agosto de 2025. A decisão para novembro cabe às autoridades estaduais e não estava oficialmente confirmada até esta sexta-feira.
Em análise publicada pela CNN Brasil, o colunista Pedro Cortes observa que a faixa da ANA não define a pressão noturna. Ele também escreve que a economia de água não significa ausência de prejuízos aos moradores e defende que os órgãos esclareçam quando a pressão poderá voltar ao normal e como serão avaliadas as queixas de falta d’água.
Quando o Cantareira pode chegar a 60%?
O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) projeta 60% em dezembro e 88% em março de 2027, se a chuva ficar dentro da média histórica. O órgão também simulou hipóteses com chuva 25% e 50% abaixo da média, o que significa que a projeção não está garantida.
Em 2025, as chuvas ficaram 23% abaixo da média, e as retiradas de água superaram em 30% a média de 2016 a 2023, segundo o Cemaden. O Painel El Niño aponta alta probabilidade de um fenômeno muito forte no verão. Para outubro a dezembro, uma previsão do painel indica mais chuva em parte do Sudeste, sem garantia para as bacias do Cantareira.
No curto prazo, a Climatempo prevê tempestades mais severas nesta sexta (30) e no sábado (31), com leve melhora no domingo (1º) e na segunda-feira (2). O Inmet mantém alerta amarelo para chuvas intensas em todo o Sudeste até domingo, e a chuva forte deve continuar no feriado de Finados.
A operação de novembro, incluindo a continuidade da redução da pressão noturna, ainda depende de definição das autoridades estaduais. Os níveis dos reservatórios podem ser acompanhados no Portal dos Mananciais, da Sabesp.



