Um laudo residuográfico identificou resíduos de chumbo nas duas mãos de Larissa Morata, 29 anos, e na mão esquerda do marido dela, o soldado da Polícia Militar Vinicius Silva, 26. Larissa foi encontrada morta em 6 de setembro, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.
O exame também apontou o mesmo material nas duas mangas da blusa de moletom que o policial usava. Segundo o g1 SP, o chumbo pode estar entre os resíduos deixados por um disparo de arma de fogo.
Larissa estava baleada na cabeça, dentro do banheiro do apartamento onde morava com Vinicius. A arma, um revólver calibre .357, era do soldado.
O que diz o policial
Vinicius está preso preventivamente por feminicídio e nega o crime. De acordo com o boletim de ocorrência, ele contou que conversou com Larissa sobre o fim do relacionamento antes de dormir. Disse ter acordado ao ouvir um tiro e achado a mulher caída no banheiro, perto do revólver. Para ele, ela se matou.
A defesa também nega que o policial tenha agredido a esposa.
O que dizem os exames e o Ministério Público
O Ministério Público (MP) afirma que os resultados periciais não combinam com a versão de suicídio. Segundo os exames da investigação, a trajetória do tiro foi de trás para frente, inclinada da esquerda para a direita. Larissa era destra.
O laudo necroscópico registrou ainda pelo menos 19 lesões no corpo dela, entre equimoses e escoriações nas pálpebras, mãos, pés, joelhos, perna e quadril.
Prisão e denúncia
Vinicius foi preso no dia seguinte à morte, em casa, enquanto Larissa era velada. Na semana passada, a Promotoria o denunciou por feminicídio, e a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia, tornando-o réu. A prisão temporária foi convertida em preventiva. Ele é acusado e não foi condenado.
A família da vítima relatou episódios de ciúmes excessivos, comportamento possessivo, agressões e ameaças atribuídos ao policial. Os parentes também levantaram a hipótese de motivação patrimonial: Larissa havia herdado imóveis, e os bens poderiam passar a Vinicius com a morte dela.
Quem era a vítima e o que falta na investigação
Larissa era técnica em radiologia e deixa um filho de 2 anos, do casamento com Vinicius. A criança estava na casa quando a mãe foi morta. O processo corre em segredo de Justiça.
A Polícia Civil aguarda agora o resultado do exame do local onde Larissa foi encontrada. Segundo a apuração do g1 SP, esse laudo deve ajudar a esclarecer a dinâmica da morte e a concluir a investigação.



