A corretora de criptomoedas Binance voltou a liberar saques neste domingo (1º), três dias depois de ter cerca de US$ 6,3 bilhões retirados de suas carteiras num ataque hacker. A empresa afirma que já repôs a maior parte do que foi levado e que o prejuízo não será repassado aos clientes.
Segundo a agência Reuters, citada pela CNN Brasil, a corretora diz ter coberto 95% do valor roubado. A Bloomberg, em reportagem publicada pelo InfoMoney, fala em cerca de 90%. Em qualquer das contas, a reposição saiu do caixa da empresa, de reservas de emergência e de seguro.
Como foi o ataque à Binance?
O roubo começou pouco depois das 17h de quinta-feira (29), no horário de Brasília, e a maior parte do dinheiro saiu em cerca de 20 minutos, de acordo com a Reuters. Os invasores tomaram a infraestrutura que assina e autoriza as transações e mandaram instruções que esvaziaram as carteiras usadas no dia a dia da corretora, segundo a empresa de análise TRM Labs.
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No começo, a Binance falou em um laptop comprometido de um engenheiro. Depois, disse ter achado “pontos adicionais de invasão”, sem detalhar quais. A empresa afirma não ter encontrado sinal de vazamento de chaves privadas.
O valor é cerca de quatro vezes o do ataque à corretora Bybit em 2025, de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, que até então era o maior do setor.
Quem está por trás do roubo?
O FBI afirmou no sábado (31) que o ataque foi obra do TraderTraitor, grupo de hackers ligado ao Estado norte-coreano, o mesmo apontado no caso Bybit. As empresas de rastreamento TRM Labs, Chainalysis e Elliptic chegaram à mesma conclusão.
Segundo o FBI, integrantes do grupo foram vistos convertendo parte dos ativos em ether, e novas tentativas de lavagem do dinheiro são esperadas. A Coreia do Norte nega há anos usar hackers para roubo ou espionagem.
Os saques já estão liberados para todas as moedas?
Ainda não. A Binance adotou o que chama de “abordagem gradual”, começando pelos tokens mais procurados. A primeira fase incluiu:
- bitcoin, ether e BNB;
- as stablecoins USDT (Tether) e USDC (Circle);
- Solana, XRP e dogecoin, entre outros tokens, num total de 15 na largada, segundo a Bloomberg;
- saques em 12 redes, como Ethereum, BNB Smart Chain, XRP e Base, liberados ao longo do dia.
Os depósitos não chegaram a ser suspensos. Os saques agora saem de novos endereços de carteira, e a lista usada na prova de reservas foi atualizada, segundo a corretora.

O cliente vai perder dinheiro?
A promessa da empresa é que não. “Essas perdas não serão repassadas aos usuários”, disse a Binance em comunicado reproduzido pela Bloomberg. O co-CEO Richard Teng afirmou que o rombo será coberto pelo SAFU, fundo de emergência criado em 2018 e que costuma ter cerca de US$ 1 bilhão, e por recursos próprios.
A outra co-CEO, Yi He, admitiu falha. “Deveríamos ter investido mais em segurança antes”, disse.
A parte que ainda falta repor, segundo a Reuters, é formada por criptomoedas de menor liquidez, que a corretora precisa comprar aos poucos no mercado. Cerca de metade dos ativos levados foi congelada pelos emissores de stablecoins, o que não significa que o dinheiro já tenha voltado.
Como o mercado reagiu?
Com pouca turbulência. O bitcoin era negociado perto de US$ 78 mil neste domingo, cerca de 5% abaixo da máxima de quinta-feira, e as principais criptomoedas oscilaram menos de 1%, de acordo com a Bloomberg.
Houve, porém, corrida para tirar dinheiro da plataforma. Nas primeiras horas após a reabertura, a Binance registrou saídas líquidas de US$ 2,5 bilhões, segundo dados da DefiLlama citados pela agência. A corretora tem cerca de US$ 134 bilhões em ativos.
O que dizem as regras no Brasil?
Desde 2 de fevereiro de 2026 estão em vigor as Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, que regulam as empresas de criptoativos no país. Todas precisam de autorização do BC para funcionar, e quem já atuava ganhou um período de transição para se adaptar.
Entre as exigências estão separar o patrimônio da empresa do dinheiro e dos criptoativos dos clientes, com carteiras e contas individualizadas, apresentar prova de reservas e passar por auditoria independente a cada dois anos, com relatório público. A segurança cibernética também entra na lista de obrigações, segundo o InfoMoney.
O que ainda não se sabe
- o caminho exato usado pelos hackers para entrar nos sistemas;
- quanto do dinheiro congelado será de fato recuperado;
- qual será o custo final para a Binance;
- quando os saques de todas as moedas estarão normalizados.
O próximo passo é a liberação das demais criptomoedas e redes, que a Binance diz fazer conforme a demanda dos usuários. Quem tem saldo na corretora pode acompanhar a lista de moedas liberadas nos avisos oficiais do aplicativo.



