O procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos abriu nesta quinta-feira (1º) uma investigação sobre o ataque a faca em um voo da FlyDubai que ia de Dubai para Tel Aviv, em Israel. Na quarta-feira (30), o copiloto esfaqueou o piloto e, segundo políticos israelenses e passageiros, tentou derrubar o avião, que acabou desviado para Tabuk, na Arábia Saudita.
A equipe de investigação “começou a trabalhar no incidente”, informou a agência estatal WAM. O trabalho vai determinar se o caso “poderia estar vinculado a alguma atividade ou tentativa terrorista”.
O que aconteceu no voo da FlyDubai
O comandante, o indiano Smit Machchhar, levou várias facadas do copiloto, que é omani, segundo o g1. Ferido, ele ainda conseguiu alertar quem estava a bordo. Passageiros contaram ter ouvido gritos dentro da cabine.
O Boeing 737 perdeu mais de 4 mil metros de altitude em cerca de 30 segundos. Segundo o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o avião chegou a “entrar em parafuso”.
A porta da cabine de comando só abre por dentro. De acordo com Doron Spielman, porta-voz do gabinete do premiê, o comandante usou o que restava de suas forças para destravá-la.
Quem impediu a queda do avião
- O piloto ferido, que abriu a porta da cabine e deixou a ajuda entrar.
- O passageiro israelense Yaniv Hayun, que, pelo próprio relato, puxou os comandos para cima e interrompeu a queda.
- Dois pilotos da FlyDubai que estavam de folga e viajavam como passageiros para assumir o turno em Israel. Eles estabilizaram o avião e fizeram o pouso de emergência.
Passageiros e tripulantes ajudaram a conter o copiloto, segundo a France Presse. Hayun contou que já tinha assistido ao programa de TV “Air Crash Investigation”, sobre acidentes aéreos, e que isso ajudou na reação.
As autoridades ainda não esclareceram a sequência exata da intervenção. Os nomes dos dois pilotos que pousaram o avião não tinham sido divulgados.

Hayun foi recebido como herói por Netanyahu no aeroporto Ben Gurion. Para o premiê, a atuação das pessoas a bordo impediu que o atentado se concretizasse. “Eles salvaram muitas vidas. Evitaram uma grande tragédia”, disse.
Como estão o piloto e os passageiros
A FlyDubai informou que os 174 passageiros, 166 deles israelenses, estão a salvo. Outra reportagem do g1 fala em 180 passageiros; a diferença não foi explicada.
Segundo a companhia, a tripulação a bordo controlou a aeronave, e o pouso foi feito em segurança. Imagens divulgadas depois mostram Machchhar sendo retirado da cabine coberto de sangue, com máscara de oxigênio. Ele foi transferido para um hospital saudita e estava em estado estável, segundo a última atualização do g1.
O que dizem Israel e os Emirados
Autoridades israelenses classificaram o caso como “uma tentativa de ataque terrorista”. À rede americana Fox News, porém, Netanyahu disse que é “muito cedo” para apontar responsáveis.
“Durante o voo, ao se aproximar do país, um dos pilotos esfaqueou o outro e aparentemente tentou derrubar o avião com todos a bordo”, afirmou Netanyahu.
Segundo Israel, de acordo com o g1, o copiloto disse em depoimento que agiu sozinho.
Israel conduz uma investigação própria, liderada pela agência de inteligência Mossad. A apuração dos Emirados vai determinar até que ponto o ataque estava ligado a atividade ou intenção terrorista.

