O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta sexta-feira (9), em seu perfil no Instagram, trechos de um relatório de segurança da corte. Segundo ele, o documento reúne milhares de mensagens com ameaças de morte e de agressão contra ministros. De acordo com o relatório, o X é a rede com mais publicações hostis ao tribunal.
Dino afirmou que as ameaças não vão mudar sua atuação como ministro. A íntegra do relatório não foi tornada pública pelo STF, que apontou motivos de segurança.
O que o relatório identificou
O documento foi elaborado pela Secretaria de Polícia Judicial do STF. Ele reúne mensagens publicadas no X entre 1º e 6 de outubro. Parte delas foi escrita depois do primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4).
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De acordo com a Secretaria, o X reúne o maior número de postagens hostis ao Supremo e a seus ministros, e também a maior proporção delas. O trecho divulgado por Dino não menciona outras plataformas.
Os conteúdos classificados como mais graves falam em fuzilamento, explosão, enforcamento e esquartejamento.

Quais mensagens foram citadas
Uma das publicações diz que Dino será “o primeiro a ser fuzilado”, por ter proibido o acesso às armas. Outra fala em invadir o STF e fazer com Alexandre de Moraes, Dino e Cristiano Zanin o que, segundo a mensagem, foi feito com Tiradentes, com a cabeça exposta em praça pública.
Uma terceira, publicada na madrugada de terça-feira (6), cita o contexto eleitoral. O autor escreve que Dino é “carta marcada” pelo que fez no período de eleição e por ter travado emendas parlamentares para ajudar o presidente Lula. A mensagem afirma ainda que ele “vai pagar com sangue”.
Em uma das mensagens exibidas, o autor aparece ocultado por tarja preta.
O que disse Dino
“Recebi hoje trechos de um relatório de segurança do STF mostrando milhares de mensagens no mesmo sentido: ameaças de assassinato e agressões diversas”, escreveu o ministro.

Para Dino, “o ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência”. Ele defendeu que quem discorda de decisões judiciais recorra aos colegiados competentes. “Não precisa matar o juiz que tomou a decisão”, escreveu.
Sobre a própria conduta, o ministro declarou: “Em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou”. Ele lembrou que, em 37 anos como servidor público, nunca respondeu a processo criminal.
Dino também fez um alerta sobre a independência do Judiciário. Segundo ele, “se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição”.
O que ainda não foi informado
Não há informação sobre se o STF vai encaminhar os casos do relatório a outros órgãos, nem sobre investigações abertas para as mensagens específicas.
Ameaças a ministros não são novidade
Segundo o UOL, ao menos desde 2019 os ministros do STF são alvo de ameaças de agressão e de morte, inclusive contra familiares, por causa de decisões judiciais. Naquele ano, o então presidente da corte, Dias Toffoli, determinou a abertura de ofício de uma investigação sobre o tema. O processo ficou conhecido como Inquérito das Fake News e segue em andamento.



