O economista Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, é apontado como o nome mais forte para comandar o Ministério da Fazenda se Flávio Bolsonaro (PL) vencer o segundo turno, em 25 de outubro. A informação foi publicada nesta sexta-feira (16) pela Revista Oeste e pela Folha de S.Paulo, que ouviu seis integrantes e colaboradores da campanha.
Segundo a Folha, Sachsida é o preferido do ex-presidente Jair Bolsonaro para o cargo. A escolha, porém, caberia a Flávio, e a reportagem diz que ainda não se sabe que peso ele dará à recomendação do pai.
Quem é Adolfo Sachsida?
Sachsida nasceu em Londrina (PR) em 1972. Tem graduação em economia e em direito, doutorado em economia pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-doutorado na americana Universidade do Alabama, de acordo com a Revista Oeste.
Leia também: Datafolha do 2º turno: Flávio Bolsonaro tem 47% e Lula, 45%; nos válidos, 51% a 49% · Quaest do 2º turno: Flávio Bolsonaro tem 46% e Lula, 44%; rejeição dos dois passa de 50%
Entrou no Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 1997, como servidor concursado. Apoiou Jair Bolsonaro desde cedo, na pré-campanha de 2018, quando o então deputado ainda era um pré-candidato pouco expressivo, segundo a Folha.
Que cargos ele ocupou no governo Bolsonaro?
- Secretário de Política Econômica (2019 a fevereiro de 2022), no Ministério da Economia de Paulo Guedes;
- Chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do mesmo ministério;
- Ministro de Minas e Energia a partir de maio de 2022, no lugar de Bento Albuquerque, quando a alta dos combustíveis estava no auge.
Ele e Guedes escreveram juntos um livro sobre a política econômica de 2019 a 2022. Mesmo tendo feito parte da equipe desde o início, ele não é visto como um “autêntico ex-Guedes”, o que tem jogado a seu favor dentro da campanha, segundo a Folha.
Qual é o papel dele na campanha de Flávio?
Sachsida entrou formalmente na equipe econômica em 18 de agosto, depois de negar no início que fizesse parte do núcleo da candidatura. Agora coordena a área econômica da candidatura e, de acordo com a Folha, comanda 25 grupos técnicos que trabalham no plano do candidato, além de conversar com empresários, banqueiros e agentes do mercado financeiro.
No dia a dia, ele substituiu Daniella Marques, antes cotada para a Fazenda e que agora aparece como possível titular de uma pasta da área social. Sachsida também integra a equipe de advogados de Jair Bolsonaro, o que garante acesso direto com o ex-presidente, informa o jornal.

O que ele defende para a economia?
O eixo é o ajuste fiscal pelo lado da despesa. “Precisamos de um ajuste feito via controle de gastos, não dá para criar mais novos tributos”, disse Sachsida no início de setembro, em evento na Casa Lide, segundo a Folha. Na mesma ocasião, afirmou que o lado fiscal seria resolvido em um ano e meio.
Pelas entrevistas reunidas por Oeste e Folha, as propostas incluem:
- uma regra fiscal ancorada no tamanho da dívida em proporção ao PIB, em vez de se apoiar só em tetos de despesa;
- redução do número de ministérios;
- controle dos supersalários, os vencimentos de servidores acima do teto constitucional;
- manutenção do Bolsa Família e do BPC;
- nenhuma privatização de Banco do Brasil, Caixa e Petrobras.
Em entrevista à Oeste em setembro, ele atribuiu a inflação sobretudo ao excesso de gasto público e à recriação de impostos que tinham sido cortados ou zerados. “Em 90% dos casos, aumento de preço é culpa do governo”, afirmou. Segundo a revista, Sachsida calcula a dívida acima de 82% do PIB.
E a proposta de corrigir aposentadorias só pela inflação?
Na semana passada, a Folha publicou que Flávio considera reajustar aposentadorias e gastos com saúde e educação apenas pela inflação, para economizar R$ 250 bilhões. Sachsida disse que a medida não faz parte dos planos de Flávio e disse a interlocutores que a ideia de um ajuste de 1,5% do PIB não partiu dele, segundo o jornal.
Quem mais está na disputa pela Fazenda?
A Revista Oeste cita como concorrentes o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, Marcelo Kayath e Alexandre Bettamio. Segundo a Folha, ele não é o favorito do mercado financeiro, mas também não enfrenta rejeição; ele próprio teria dito a interlocutores que suas chances diminuem com a pressão para que o próximo ministro venha do mercado.
O nome dele também já foi citado para o Planejamento, a Infraestrutura e a presidência da Petrobras. A Folha procurou Sachsida e a campanha, que não se manifestaram.
Quando a escolha será definida?
Só depois do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro. Se Flávio for eleito, a equipe de transição começa a ser montada nas semanas seguintes, e os ministros tomam posse com o novo governo em 5 de janeiro de 2027.



