A Polícia Federal abriu um procedimento prévio para apurar suspeitas de interferência e financiamento externo nas eleições brasileiras. O ponto de partida foi uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU), segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, neste domingo (4).
Em visita ao Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, ele disse que o caso ainda não resultou na instauração de inquérito policial. “Já é uma investigação em andamento, mas ainda não foi instaurada a portaria do inquérito policial”, afirmou. Segundo Andrei, o procedimento prévio é natural em todos os processos da corporação.
O que a AGU pediu
Na quinta-feira (1º), a AGU informou que acionou a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão pede a investigação de uma suspeita de que o governo do presidente americano, Donald Trump, financie ações com o objetivo de interferir nas eleições e deslegitimar o Supremo Tribunal Federal (STF).
Leia também: Eleições 2026: Senado renova 54 vagas; veja quem disputa nos maiores estados
De acordo com Andrei, a área técnica da PF analisou a representação no sábado (3) e a encaminhou à Diretoria de Inteligência, responsável por conduzir a apuração. Nesta fase, a corporação examina as informações recebidas para definir os próximos passos.
O diretor-geral lembrou que a interferência externa nas eleições é crime na legislação eleitoral.

O caso das embaixadas é separado
Andrei afirmou que essa apuração é independente de outra, já com inquérito instaurado, aberta depois que os Estados Unidos repassaram à PF informações sobre possíveis riscos a instalações diplomáticas americanas no Brasil. As duas frentes poderão ser conectadas se surgirem elementos correlacionados.
Na sexta-feira (2), a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão, um em São Paulo e outro no entorno do Distrito Federal. A investigação trata de um suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco essas instalações.
Segundo Andrei, o processo é sigiloso e o material colhido até agora não indica nada concreto, nenhum plano identificado pela PF. Ele disse que não há confirmação de risco efetivo contra qualquer embaixada. A análise do material apreendido continua.
Como está a votação
O diretor-geral avaliou que a eleição ocorre de forma tranquila no país, sem ocorrências graves além das consideradas normais em um pleito. No sábado, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, disse que as eleições não estão “sob ameaça concreta, seja internacional ou do crime organizado”.
A PF ainda não informou se vai converter o procedimento prévio em inquérito formal, nem em que prazo.



