A Polícia Federal indiciou 15 pessoas no inquérito que apura fraudes em operações entre o Banco Master e o BRB, o banco público do Distrito Federal. Entre os nomes estão o ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. O relatório parcial, com mais de 700 páginas, foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (28).
Segundo os investigadores, o BRB comprou cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito do Master entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, pelo menos R$ 12,2 bilhões seriam créditos sem comprovação de que existiam.
Indiciamento não é condenação. Ele indica que a polícia viu indícios de participação nos crimes; cabe à Procuradoria-Geral da República decidir se apresenta denúncia, e à Justiça, se a aceita e, depois, se condena ou absolve.
Leia também: Tarcísio defende reforma do STF e vê impeachment de ministro em caso de crime · Polícia de SP já soma 24 corpos em casos semelhantes; sete foram achados desde terça (20)
Quem foi indiciado no caso Master?
A lista divulgada pela CNN Brasil reúne ex-dirigentes dos dois bancos, pessoas ligadas à empresa Tirreno e um advogado:
- Daniel Bueno Vorcaro, ex-controlador do Banco Master;
- Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, ex-presidente do BRB;
- Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro;
- Angelo Antônio Ribeiro da Silva, Luiz Antonio Bull e Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-diretores do Master;
- Allan da Silva Machado, ligado à estrutura operacional do Master;
- Henrique Souza e Silva Peretto e André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ligados à Tirreno;
- Daniel Lopes Monteiro, advogado que atuou na montagem das operações;
- Dario Oswaldo Garcia Junior, Luana de Andrade Ribeiro, Cristiane Maria Lima Bukowitz, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior, ex-integrantes da diretoria do BRB.
De quais crimes Vorcaro e Costa são suspeitos?
A PF atribui a Vorcaro gestão fraudulenta de instituição financeira, indução a erro, falsidade em informações ou documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. No relatório, ele aparece como o principal centro de comando e decisão do grupo investigado.
Para Paulo Henrique Costa, os crimes apontados são gestão fraudulenta e organização criminosa. A polícia o descreve como o principal articulador das operações dentro do BRB. As reportagens publicadas até agora não detalham a imputação de cada um dos outros 13 indiciados.
Como funcionava o esquema, segundo a PF?
A investigação, batizada de Operação Compliance Zero, aponta três frentes:
- compra, recompra e substituição de carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB;
- operações ligadas aos aumentos de capital do banco do DF;
- a tentativa de o BRB adquirir o próprio Banco Master.
De acordo com a Gazeta do Povo, o relatório registra que o BRB fez 42 pagamentos ao Master, que somam R$ 7,417 bilhões, mesmo depois de um indicador interno de liquidez ter estourado o limite pela primeira vez. O mesmo indicador acumulou 51 alertas e 13 extrapolações.
O que dizem as defesas?
Segundo a Gazeta do Povo, a defesa de Vorcaro afirma que o negócio com a Tirreno não foi concluído e que as carteiras foram trocadas por outros ativos, sem prejuízo ao BRB. A defesa de Paulo Henrique Costa disse ter recebido o indiciamento com surpresa e sustenta que ele não sabia das fraudes nas carteiras.
Vorcaro está preso?
O ex-banqueiro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para embarcar para Dubai. Cerca de dez dias depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) mandou soltá-lo, com tornozeleira e prisão domiciliar, junto com outros quatro executivos.
Em 4 de março de 2026, Vorcaro voltou a ser preso, por ordem do ministro do STF André Mendonça, sob suspeita de tentar atrapalhar as investigações. Costa foi preso em abril, na quarta fase da operação, segundo a Gazeta do Povo.
O que aconteceu com o Banco Master?
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro de 2025, mesmo dia da primeira prisão de Vorcaro. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começou a pagar os investidores em 17 de janeiro de 2026, com limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. A estimativa era de um desembolso de R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil credores.
Quais são os próximos passos?
A PF pediu mais 60 dias para fechar a investigação. Ainda faltam, segundo o relatório, concluir perícias bancárias, fiscais e patrimoniais, rastrear o destino do dinheiro, medir quanto cada investigado ganhou e aprofundar suspeitas de corrupção, além de verificar se outras pessoas ajudaram a preparar documentos e aprovar as operações.
Com o relatório final, o caso segue para a Procuradoria-Geral da República, que decide se oferece denúncia ao STF. Só a partir daí os indiciados podem se tornar réus.



