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Dívida pública federal vai a R$ 9,38 trilhões em setembro; juros explicam 99,2% da alta

O estoque cresceu R$ 90,22 bilhões no mês, e a conta de juros respondeu por 99,2% do aumento, segundo o Tesouro Nacional.

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Resumo rápido

  • A dívida pública federal subiu 0,97% em setembro e chegou a R$ 9,38 trilhões, informou o Tesouro Nacional
  • Juros de R$ 89,46 bilhões responderam por 99,2% do aumento de R$ 90,22 bilhões no mês
  • Pelo critério do Banco Central, a dívida bruta do governo geral está em 82,9% do PIB, maior patamar desde 2021

A dívida pública federal chegou a R$ 9,38 trilhões em setembro, com alta de 0,97% sobre agosto, quando o estoque estava em R$ 9,29 trilhões. Os dados constam do Relatório Mensal da Dívida, divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional.

Em um mês, o estoque ganhou R$ 90,22 bilhões.

De onde veio o aumento

Quase tudo veio dos juros. Segundo o Tesouro, a apropriação de juros somou R$ 89,46 bilhões em setembro, o equivalente a 99,2% da alta. A emissão líquida de títulos, ou seja, o que o governo emitiu a mais do que resgatou, ficou em R$ 760 milhões.

Leia também: FGTS: Conselho deve adiar para março corte na antecipação do saque-aniversário

No mês, o governo emitiu R$ 189,44 bilhões em títulos e resgatou R$ 188,67 bilhões. A dívida interna, negociada no mercado brasileiro, subiu 1,04% e foi a R$ 9,04 trilhões. A dívida externa recuou 0,82%, para R$ 345,41 bilhões, e representa 3,68% do total.

De janeiro a setembro, o estoque aumentou R$ 747,86 bilhões (8,7%) sobre os R$ 8,64 trilhões de dezembro de 2025. O custo médio da dívida em 12 meses subiu de 12,59% para 12,63% ao ano.

Quem tem os títulos e como a dívida é corrigida

Mais da metade do estoque, 51,60%, está atrelada à Selic, a taxa básica de juros. Os títulos corrigidos pela inflação (IPCA) somam 23,59%, os prefixados, 21,14%, e os ligados ao câmbio, 3,67%.

As instituições financeiras são as maiores detentoras, com 31,33% do estoque, ante 31,22% em agosto. Em seguida vêm os fundos de investimento, com 22,93% (R$ 2 trilhões), e a Previdência Social, com 22,41%, contra 22,63% no mês anterior. Investidores não residentes têm 9,58%, o equivalente a R$ 865 bilhões.

A reserva de liquidez, o colchão usado para pagar vencimentos, cresceu 5,33% no mês. Com esses recursos, o governo cobre 7,71 meses de vencimentos de títulos.

Dívida ficou fora da faixa do plano anual

O estoque ficou fora da faixa prevista no Plano Anual de Financiamento de 2026, que aponta entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões para o fim do ano. O prazo médio da dívida, de 4,10 anos, também ficou fora do intervalo previsto, de 3,8 a 4,2 anos.

O que mostram os números do Banco Central

O Banco Central mede a dívida por outro critério. Na dívida bruta do governo geral, que inclui União, INSS, estados e municípios, o saldo é de R$ 11,1 trilhões, ou 82,9% do PIB. O índice ficou estável em relação a agosto, mas subiu 4,3 pontos percentuais em 2026 e está no maior patamar desde 2021. No fim de 2022, era 71,7%.

Os gastos com juros também cresceram em relação a 2025. O setor público gastou R$ 107,5 bilhões com juros só em setembro, contra R$ 84,7 bilhões no mesmo mês do ano passado. Em 12 meses, a despesa chegou a R$ 1,205 trilhão, ou 8,99% do PIB. Segundo o BC, parte da alta veio do resultado menos favorável do swap cambial, além do crescimento da dívida e da inflação.

O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, menor que os R$ 10 bilhões de agosto e os R$ 17,5 bilhões de setembro de 2025. No ano, porém, o déficit primário acumula R$ 94,3 bilhões. O Tesouro informou superávit primário de R$ 4,8 bilhões do Governo Central no mês. A diferença para o número do BC vem da metodologia: o Tesouro olha a execução do Orçamento, e o BC, a variação do endividamento de cada ente.

A dívida líquida do setor público, que desconta os ativos financeiros, ficou em R$ 9,4 trilhões, ou 70% do PIB, ante 69,3% em agosto.

Quando os juros entram na conta, o resultado é o déficit nominal: R$ 113 bilhões em setembro e R$ 1,275 trilhão em 12 meses, equivalente a 9,51% do PIB, segundo o Banco Central.

Fontes consultadas

Agência Brasil — Dívida pública fica em 82,9% do PIB, e déficit soma R$ 5,5 bilhões Metrópoles — Dívida pública federal atingiu R$ 9,3 trilhões em setembro de 2026 Poder360 — Com rombo de R$ 90,2 bi em setembro, dívida pública bate R$ 9,38 tri InfoMoney — Dívida pública federal sobe 0,97% em setembro, para R$ 9,383 trilhões, diz Tesouro

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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