As ações preferenciais da Raízen deixaram de usar o código RAIZ4 e passaram a ser negociadas como RAIZ55 na B3 nesta terça-feira (3). Segundo a empresa, a troca não muda a quantidade de papéis que cada acionista tem na carteira.
O que muda é a forma de exibir o preço. Os papéis passam a ter fator de cotação de 100 ações, e a cotação na tela passa a valer para um lote de 100 papéis, não para uma ação só. Quem comparar o preço de hoje com o de ontem precisa levar essa diferença em conta.
O que muda para quem tem RAIZ4?
Segundo a Raízen, a troca não exige nenhuma providência do investidor. A companhia informou ao mercado que a quantidade de ações, os direitos ligados aos papéis e o valor da posição no momento da mudança permanecem inalterados.
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As ações passaram a ser classificadas como preferenciais classe A (PNA), conforme comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Posições menores que um lote continuam sendo negociadas no mercado fracionário.
O site O Petróleo traz um exemplo com uma cotação hipotética de R$ 0,33 por ação: um lote de 100 papéis sairia por R$ 33. Quem tem 10 mil ações RAIZ4 continua com 10 mil ações RAIZ55. De acordo com a publicação, a troca não é um grupamento, operação que reduziria o número de papéis.
Como fica a cotação no primeiro dia de negociação?
Ainda não há dados confirmados sobre a variação dos papéis no pregão desta terça-feira, por isso não é possível apontar o tamanho de eventual oscilação nem suas causas.
Segundo O Petróleo, a mudança de código, isoladamente, não provoca diluição. A diluição está ligada à emissão de novas ações, que é outra operação.

Qual é o tamanho do aumento de capital?
A mudança de código acontece junto com o plano de recuperação extrajudicial da companhia, que busca reorganizar as dívidas. A Raízen propôs um aumento de capital privado entre R$ 3,5 bilhões e R$ 39,8 bilhões, com emissão de ações ordinárias, preferenciais classe B e Units.
As assembleias de acionistas para deliberar sobre as propostas societárias estavam marcadas para sexta-feira (30). Os resultados não constam das informações disponíveis. Em comunicado de 26 de outubro, segundo O Petróleo, a troca de ticker estava condicionada à aprovação dessas propostas.
O teto de R$ 39,8 bilhões equivale a cerca de 159,18 bilhões de novos papéis. Esse valor é o limite máximo previsto, e não dinheiro já captado. A empresa pode homologar a operação parcialmente, desde que haja subscrição de ao menos 14 bilhões de papéis.
- Preço de emissão: R$ 0,25 por ação ordinária ou preferencial classe B
- Preço de emissão: R$ 0,50 por Unit
- Preferenciais classe B: não serão negociadas na B3
Quem não participar da subscrição pode ver a fatia no capital cair, o que se chama diluição. Os atuais acionistas têm direito de preferência, mas precisam colocar dinheiro novo para exercê-lo. Segundo O Petróleo, a subscrição exige novos recursos e envolve riscos.
Como ficam os credores e a dívida com a União?
Reportagem da Bloomberg, citada pelo site O Petróleo, afirma que o plano pode transferir mais de 80% do capital aos credores, por meio da conversão de dívidas em ações. Segundo a mesma informação, o fundo soberano Mubadala, de Abu Dhabi, e a produtora de etanol FS avaliam comprar parte dessa dívida. As conversas são preliminares, e não há garantia de que resultem em compra.
Em 28 de outubro, a Raízen anunciou acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Receita Federal para débitos tributários de R$ 22,4 bilhões do grupo. Desse total, R$ 16,7 bilhões são de responsabilidade econômica da Raízen. Com descontos de R$ 8,5 bilhões em multas e juros e o uso de R$ 5,7 bilhões em prejuízos fiscais, o saldo a pagar em dinheiro fica em R$ 2,5 bilhões.
Na mesma data, a Raízen informou que fundos administrados pela gestora SPX somam 71.354.652 ações preferenciais da companhia, cerca de 5,25% da espécie. Segundo a SPX, as aquisições não têm o objetivo de alterar o controle nem a estrutura administrativa da empresa.
A data em que as Units e as novas ações ordinárias começam a ser negociadas na B3 ainda será divulgada.



