A Polícia Federal (PF) fez duas ações nesta quinta-feira (1º) para apurar crimes eleitorais. No Amapá, apreendeu cerca de R$ 1,85 milhão em investigação sobre compra de votos. Em Manaus, prendeu em flagrante duas pessoas com R$ 1,64 milhão.
Os dois casos são distintos, e não há informação de ligação entre eles.
O que a PF apurou no Amapá
Em conjunto com o Ministério Público Eleitoral, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão e de afastamento cautelar de duas servidoras públicas. Além dos reais, foram apreendidos euros e dólares. A Justiça Eleitoral determinou que uma servidora do governo estadual e outra da Assembleia Legislativa fiquem afastadas até o fim do segundo turno.
Sete pessoas são investigadas por suspeita de compra de votos, coação eleitoral e uso indevido da máquina pública em benefício eleitoral. Entre elas está a deputada estadual Aldilene Souza (PDT), candidata à reeleição e aliada do governador Clécio Luís (União Brasil), que não é alvo da operação.
Programa assistencial sob suspeita
A investigação aponta indícios de que o programa estadual Renda para Viver Melhor e a distribuição de cestas básicas teriam sido usados em troca de apoio político. Segundo o Ministério Público Eleitoral, famílias vulneráveis só entravam ou continuavam no programa se prometessem votar em candidatos do grupo. Há relatos de ameaça de corte do benefício para quem não confirmasse o apoio nas urnas.
A Promotoria Eleitoral afirma que o número de beneficiários, antes estável em cerca de 10 mil, teria chegado a 13.305 em junho de 2026. Para o órgão, esse aumento e as comunicações e os documentos obtidos justificam aprofundar a apuração. São suspeitas em investigação, e não há condenação.
O que diz o governo do Amapá
Em nota, o Governo do Amapá afirmou que as investigações não têm relação com a gestão institucional nem com os procedimentos do Renda para Viver Melhor. A Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas) repudiou a “tentativa de utilização de programas assistenciais para fins políticos ou eleitorais”.
A pasta também declarou que as concessões de benefícios seguem “critérios rigorosamente técnicos e legais”.
De acordo com a Folha de S.Paulo, a assessoria da deputada Aldilene Souza não respondeu aos contatos da reportagem. O governador Clécio Luís também foi procurado e não se manifestou. O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, que governou o Amapá por quatro mandatos, não é citado na operação.
O caso de Manaus
Segundo a PF, a ação partiu de informações da Central de Denúncias Eleitorais, que apontavam saques de valores elevados com possível destinação a práticas ilícitas no período eleitoral. O dinheiro teria sido sacado em uma agência bancária no centro de Manaus.
Após diligências, equipes da PF abordaram e prenderam os envolvidos em flagrante. Todo o valor foi apreendido e será analisado no inquérito policial, que busca esclarecer a origem, a movimentação financeira e o destino dos recursos. Os nomes dos presos não foram informados.
A PF informou que os investigados poderão responder por ilícitos eleitorais e por outros crimes que forem identificados ao longo da apuração.



