Terça-feira, 3 de novembro de 2026
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Brasil e política

OMM prevê pico do El Niño em dezembro, com anomalia de 3,7°C no Pacífico

Previsão da Organização Meteorológica Mundial aponta dezembro como o mês de maior intensidade; no Brasil, efeitos previstos variam por região, e a Embrapa propõe ajustes na lavoura.

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Resumo rápido

  • A OMM aponta dezembro de 2026 como o pico do El Niño e projeta anomalia de cerca de 3,7°C na região Niño 3.4 entre outubro e dezembro.
  • Se será o episódio mais intenso em 150 anos ainda depende de confirmação com as medições dos próximos meses.
  • No Brasil, o Sul pode ter chuva acima da média; Norte e Nordeste, estiagem e risco de queimadas. A Embrapa Hortaliças propõe ajustes no plantio.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê que o El Niño atinja o pico em dezembro de 2026. A previsão, divulgada em 8 de outubro, projeta aquecimento médio de cerca de 3,7°C acima do normal na região Niño 3.4, no Pacífico equatorial, no trimestre de outubro a dezembro.

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Super El Niño 2026: o que vai acontecer no Brasil até dezembro · Inscreva-se no canal do Trendou

O El Niño é o aquecimento anormal das águas do Pacífico na região equatorial, e o fenômeno já está em curso. Quando o calor se mantém acima da média por um período longo, ele altera a circulação da atmosfera e a distribuição de chuvas e temperaturas em vários continentes. Segundo a OMM, o fenômeno deve continuar ganhando força ao longo de novembro.

Por que se fala em “Super El Niño”?

O termo não é uma categoria oficial da meteorologia. Ele é usado para episódios de intensidade excepcional. A anomalia da região Niño 3.4 estava em cerca de 1,6°C em junho e chegou a aproximadamente 2,5°C em agosto. Em meados de outubro, a medição semanal indicava cerca de 3,3°C, segundo o International Research Institute for Climate and Society (IRI), da Universidade de Columbia.

Leia também: Bets vão voltar? O que está em jogo na audiência do STF sobre a proibição das apostas · Médica é morta a tiros em bar de Brasiléia, no Acre; autor dos disparos não foi achado

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 83% de probabilidade de que o indicador do trimestre outubro-dezembro supere os níveis dos principais episódios desde 1950. O recorde anterior, de cerca de 2,6°C, é do período de novembro de 2015 a janeiro de 2016. A confirmação de um novo recorde depende das medições até o fim do período de maior intensidade.

Vai chover mais ou menos no Brasil?

Depende da região. Os efeitos apontados nas previsões são estes:

  • Sul: chuva acima da média, temporais, rios em alta e risco de enchentes.
  • Norte e Nordeste: menos chuva, períodos de estiagem, calor mais forte e maior risco de queimadas.
  • Sudeste e Centro-Oeste: calor acima do normal e alterações no regime de chuvas.

São possibilidades, não garantias. Um boletim do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgado em outubro, dá 95% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro.

Como fica a lavoura de hortaliças?

Um estudo de pesquisadores da Embrapa Hortaliças, sediada em Brasília, aponta que a maioria das hortaliças pede temperaturas entre 18°C e 25°C, boa qualidade de água e disponibilidade hídrica. Elas não toleram excesso de chuva nem estresse hídrico.

Com calor e seca, aumentam a evaporação e a demanda por água, o que eleva o risco de salinização do solo e de surtos de pragas. Já a chuva forte encharca o terreno, prejudica as raízes e favorece doenças fúngicas e bacterianas. “As recomendações propostas não devem ser enxergadas como uma opção pontual, mas sim como o início de uma transição na forma como se cultivam hortaliças no Brasil”, afirmou o pesquisador Marcos Brandão Braga.

Entre os grupos mais sensíveis estão as solanáceas, como tomate, pimentão e batata, afetadas por temperaturas altas no florescimento e na frutificação. Folhosas e brássicas, como alface, couve e brócolis, também aparecem entre as vulneráveis.

Que medidas o estudo recomenda ao produtor?

O trabalho lista seis eixos de atuação:

  • monitorar o risco climático e as condições de cada área;
  • ajustar o calendário de plantio e usar materiais genéticos mais adaptados;
  • manejar água, solo e drenagem de forma integrada;
  • proteger a lavoura de extremos de temperatura;
  • controlar pragas e doenças com base no diagnóstico climático;
  • validar tecnologias de cultivo mínimo e plantio direto de hortaliças.

Por região, o estudo indica irrigação localizada e controle de salinidade no Norte e no Nordeste. No Sul, o foco é o controle de encharcamento e de doenças. No Centro-Oeste e no Sudeste, sugere sensores de umidade, telas anti-insetos e cultivo protegido.

Calor e mortes: o que diz o estudo de Chicago

Um estudo do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, estima 26,7 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no Brasil entre junho de 2026 e março de 2027. O número é uma estimativa estatística, calculada em comparação com o período de referência de 1996 a 2005, e não um balanço de óbitos confirmados.

Pelas projeções do IRI, as condições de El Niño devem durar até o trimestre de março a maio de 2027, com enfraquecimento gradual depois. O pico, porém, só será confirmado com as medições de dezembro.

Fontes consultadas

Rádio Itatiaia — Pico do Super El Niño em dezembro de 2026 pode ser o mais intenso em 150 anos Exame — Super El Niño 2026: estudo projeta 26,7 mil mortes por calor no Brasil O Antagonista — Super El Niño: Pico do fenômeno climático já tem data confirmada para 2026 será o mais forte dos últimos 150 anos Correio do Povo — Saiba as estratégias para adaptar o cultivo de hortaliças ao El Niño

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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