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Produção industrial cai 0,6% em agosto, pior que o esperado, diz IBGE

Analistas projetavam alta mediana de 0,1%. Fumo recua 23,4%, 16 dos 25 ramos caem, e Fiesp diz que o quadro à frente não indica recuperação sustentada.

Resumo rápido

  • Indústria recuou 0,6% em agosto ante julho; a mediana das projeções era de alta de 0,1%
  • 16 dos 25 ramos tiveram queda; produtos do fumo caíram 23,4% e devolveram o ganho de quatro meses
  • Fiesp vê fraqueza nos próximos meses por causa de juros elevados e inadimplência

A produção industrial brasileira recuou 0,6% em agosto na comparação com julho, na série com ajuste sazonal, informou nesta sexta-feira (2) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo do piso das previsões: analistas consultados pelo Projeções Broadcast esperavam de queda de 0,5% a alta de 0,5%, com mediana de +0,1%.

Em relação a agosto de 2025, a queda foi de 1,2%. No acumulado do ano, a indústria ainda tem alta de 0,8%, e em 12 meses o avanço é de 0,6%. A média móvel trimestral recuou 0,7%.

Quais setores puxaram a queda

Dos 25 ramos pesquisados, 16 registraram queda de julho para agosto. Entre as principais influências negativas e outras quedas relevantes estão:

Leia também: Contas públicas fecham agosto com déficit de R$ 10 bi; dívida bruta sobe para 82,9% do PIB · PIS/Pasep: acabou o prazo para receber em 26 de outubro; próximo lote paga em 25 de novembro

  • Produtos do fumo: -23,4%
  • Produtos farmoquímicos e farmacêuticos: -5,5%
  • Equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos: -4%
  • Confecção de artigos do vestuário e acessórios: -3,3%
  • Outros equipamentos de transporte: -2,9%
  • Produtos de borracha e de material plástico: -1,8%
  • Produtos de metal: -1,6%

As indústrias extrativas tiveram o quarto resultado negativo seguido, com queda de 0,7%.

Nove ramos avançaram. A principal influência positiva veio de produtos alimentícios (+1%). Também cresceram produtos diversos (+8,4%), produtos químicos (+0,9%) e metalurgia (+0,8%).

Todas as grandes categorias recuaram no mês:

  • Bens de consumo: -1,5% (duráveis, -1%; semi e não duráveis, -1,7%)
  • Bens de capital (máquinas e equipamentos): -0,6%
  • Bens intermediários (insumos): -0,2%

Por que o fumo despencou

André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE, disse que a atividade de produtos do fumo pesa cerca de 1% na indústria, mas o tamanho da queda de agosto teve impacto relevante no total. Nos quatro meses anteriores, o segmento havia acumulado alta de 32,5%. “A queda de agosto praticamente elimina esse ganho”, afirmou.

Macedo citou como possíveis fatores “algum tipo de antecipação de safra” e efeitos do clima em agosto. Ele ponderou que não dá para afirmar que o reajuste do cigarro, em vigor desde 1º de agosto, explique sozinho o resultado.

IBGE lança unidade do Projeto Casa Brasil, no Palácio da Fazenda, no centro do Rio de Janeiro
IBGE lança unidade do Projeto Casa Brasil, no Palácio da Fazenda, no centro do Rio de Janeiro (foto de arquivo, 29/05/2024) Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Quatro meses devolvem parte do ganho do início do ano

De maio a agosto, a indústria acumulou perda, segundo Macedo, que devolveu parte dos ganhos de 4,3% de janeiro a abril. Os números divulgados variam entre as fontes: uma menciona queda de 3,4% no período e outra, de 3,1%. Por mês, o setor caiu 1% em maio e 1,6% em junho, subiu 0,1% em julho e recuou 0,6% em agosto.

O técnico afirmou que a queda de agosto foi a mais intensa para o mês desde agosto de 2022 (-1,4%). Ele também apontou a política monetária restritiva como fator importante. Mesmo com cortes, os juros seguem em patamar elevado, o que pesa sobre a inadimplência e o endividamento de famílias e empresas, e leva as companhias a adiar decisões de investimento.

Macedo lembrou que o mercado de trabalho segue resiliente, com número recorde de pessoas ocupadas e crescimento da massa de rendimentos.

A indústria está 1,3% acima do nível de fevereiro de 2020, antes da pandemia. A distância chegou a 4,6% em abril de 2026. Em relação ao ponto mais alto da série, de maio de 2011, o setor segue 15,6% abaixo.

O que dizem Fiesp e economista

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou, em nota, que o recuo “surpreendeu negativamente” e que o quadro à frente não sinaliza recuperação capaz de se manter nos próximos meses. Segundo a entidade, o Indicador Antecedente da Indústria de Transformação e os indicadores de confiança apontam continuidade da fraqueza.

A Fiesp disse que programas como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, o Minha Casa, Minha Vida e o Move Brasil impulsionam segmentos específicos, mas não têm sido suficientes para compensar os juros elevados, que encarecem o crédito e restringem consumo e investimento. A federação também citou a inadimplência e o endividamento das famílias e as tarifas dos Estados Unidos como fontes de pressão.

Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, a indústria caminha para contribuir negativamente com o PIB do terceiro trimestre. Ele avalia que eventuais surpresas positivas dependem exclusivamente da demanda externa por petróleo e derivados, em meio à guerra e à incerteza sobre o estreito de Ormuz. Segundo Pizzani, caberá aos serviços evitar uma retração do PIB no período, hipótese que, em sua avaliação, ganha probabilidade à medida que os dados de atividade vêm abaixo do esperado.

Fontes consultadas

Estadão — Produção industrial no País cai 0,6% em agosto, abaixo do esperado Revista Oeste — Produção industrial tomba em agosto, em resultado pior que o esperado UOL — Produção industrial cai 0,6% de julho para agosto, diz IBGE

Produzida pela Redação Trendou com apoio de ferramentas de inteligência artificial, a partir das fontes acima. Política editorial · Pedir correção

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