As forças de segurança registraram 214 ocorrências ligadas às eleições até as 11h deste domingo (4), sendo 175 classificadas como crimes eleitorais, segundo balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em balanço próprio, a Polícia Federal (PF) informou que, até as 11h30, 48 pessoas haviam sido conduzidas a delegacias.
De acordo com a PF, os valores da corporação são preliminares e ainda passarão por validação. Os números podem mudar com novas ocorrências, investigações e atualizações nos sistemas da instituição.
Qual é o crime mais comum
A propaganda eleitoral irregular lidera com 71 registros, ou 33,2% das ocorrências. A compra de votos, ou corrupção eleitoral, aparece em seguida, com 46 casos (21,5%).
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Entre os demais registros do balanço do ministério estão:
- Boca de urna: 19 registros (8,9%)
- Desobediência a ordens da Justiça Eleitoral: 13
- Outros crimes eleitorais: 16
As apreensões somam R$ 108.560 em dinheiro, quatro armas, 13 veículos e 5.557 materiais de campanha. O mesmo balanço do ministério aponta três conduções feitas pelas forças de segurança ostensiva, número que não inclui as 48 contabilizadas pela PF.
Quanto a PF apreendeu em bens
Até as 11h30, a PF contabilizava R$ 769.278,50 em bens e valores apreendidos, dos quais R$ 363.577,50 em dinheiro em espécie.
Ao longo de 2026, a corporação já instaurou 1.293 inquéritos sobre crimes eleitorais. As apreensões em ações desse tipo no ano passam de R$ 45,6 milhões em bens, dos quais cerca de R$ 30,2 milhões em dinheiro vivo.
A operação de segurança mobiliza 321.701 agentes: 304.405 de forças estaduais, 6.565 policiais federais, 4.115 policiais rodoviários federais e 142 da Força Nacional, além de 6.474 de tropa de contingência.

O que aconteceu em Teresina
O vereador Valdemir Virgino (PRD) foi preso em flagrante no sábado (3) por suspeita de compra de votos. Segundo a PF, a investigação começou após denúncia de distribuição de dinheiro em uma clínica da esposa do vereador, no bairro Marquês.
A PF informou que, em vigilância, observou fluxo intenso de pessoas saindo do local com sacolas plásticas escuras. Dois homens abordados em uma motocicleta tinham material de campanha e R$ 12 mil em espécie.
Na clínica, os policiais encontraram envelopes com nomes, telefones e valores, além de santinhos dos candidatos Carlos Augusto (MDB), Júlio César (PSD) e Georgiano (PSD). De acordo com o auto policial, o vereador carregava uma mochila com maços de dinheiro e envelopes com valores. O g1, que divulgou o caso, informou que tenta contato com a defesa dos candidatos.
O advogado Carlos Douglas, que representa Valdemir, afirmou que o dinheiro seria destinado ao pagamento de pessoas que trabalharam como militantes de campanha. “Durante a instrução a gente vai efetivamente demonstrar que não houve sequer uma compra ou sequer uma tentativa de compra de votos”, declarou.
Ainda segundo a defesa, 16 pessoas foram autuadas por corrupção eleitoral e liberadas na noite de sábado após pagar fiança. Valdemir e um funcionário do gabinete, Renato Lucas Vieira da Silva, também foram autuados por associação criminosa. Nenhum deles foi condenado.
PF apura possível interferência externa
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse que a corporação abriu procedimento para apurar possível interferência externa nas eleições. A apuração partiu de representação da Advocacia-Geral da União, após reportagem do jornal britânico The Guardian segundo a qual cerca de R$ 5,2 milhões teriam sido enviados a grupos no Brasil.
Rodrigues afirmou que a PF não encontrou elementos concretos de risco contra embaixadas. Na sexta-feira (2), a representação diplomática dos Estados Unidos decidiu fechar as portas, alegando preocupações com a segurança, e a Embaixada da Austrália adotou medida semelhante.
Os dados do boletim de segurança são consolidados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública e serão atualizados ao longo da votação.



