O juiz federal mexicano Luis Benítez Alcántara, de 49 anos, foi preso no domingo (1º) na Colômbia, acusado pelos Estados Unidos de receber cerca de US$ 2 milhões em propina (aproximadamente R$ 11 milhões, na conversão do jornal Extra) para libertar o braço direito do canadense Ryan Wedding, apontado pelas autoridades americanas como chefe de uma rede de tráfico de drogas. O Departamento de Justiça americano divulgou a acusação na quinta-feira (5).
Segundo os promotores, Benítez era juiz distrital na Cidade do México e conduzia o processo de extradição de Andrew Clark, segundo no comando da organização de Wedding. Os EUA informaram que vão pedir à Colômbia a extradição do juiz.
Como o pagamento teria sido feito
Clark foi preso pela Marinha do México em outubro de 2024. Nos EUA, ele responde por tráfico de drogas, homicídio e tentativa de homicídio. De acordo com o Departamento de Justiça, ele negociou o pagamento ao juiz e enviou o dinheiro por meio de intermediários.
Leia também: Vivienne Jolie tem pedido aprovado e deixa o sobrenome Pitt na Justiça dos EUA · Pai de Meghan Markle é preso pelo FBI na Flórida, acusado de posse de pornografia infantil
Conforme o Latin Times, que cita os promotores, o total repassado chegou a cerca de US$ 2,75 milhões, em parcelas entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025. A última, de US$ 2 milhões, foi depositada diretamente ao juiz em 24 de fevereiro de 2025.
Naquele mesmo dia, afirma o Departamento de Justiça, Benítez concedeu fiança a Clark e mandou soltá-lo. A liberdade durou poucos dias. Clark foi preso de novo e levado aos EUA, onde o processo segue em andamento.
De que o juiz é acusado
Benítez responde a nove acusações de cumplicidade após o crime (accessory after the fact, no termo jurídico americano), previstas em uma denúncia complementar apresentada por um grande júri federal. Segundo a acusação, ele usou o cargo para garantir a soltura de uma figura importante de uma organização internacional de drogas. Cada acusação prevê pena máxima de 15 anos de prisão, o que somaria 135 anos em caso de condenação em todas. Ele é considerado inocente até que haja condenação.
O porta-voz da Procuradoria de Los Angeles, Ciaran McEvoy, disse à CNN que o juiz viajou à Colômbia por motivos pessoais. Não se sabia se ele tem advogado. A ABC News procurou o governo e o Judiciário do México, mas a reportagem não registra resposta. A defesa de Clark, representada por Matthew Lombard, também não respondeu de imediato à CNN.
O procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, afirmou em nota: “Autoridades públicas corruptas, onde quer que estejam, que auxiliam traficantes de drogas que operam aqui em nosso território, enfrentarão a justiça nos Estados Unidos”.
Quem é Ryan Wedding
Canadense de 44 anos, Wedding competiu no snowboard nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002, em Salt Lake City. Segundo os promotores americanos, ele montou depois uma rede que levava cocaína da Colômbia aos EUA e ao Canadá, passando pelo México, em associação com o Cartel de Sinaloa. Também é acusado de ordenar assassinatos por encomenda no Canadá e no México.
Ele chegou a integrar a lista dos dez fugitivos mais procurados do FBI. Foi preso no México em janeiro, levado à Califórnia e se declarou inocente das acusações de homicídio e tráfico, segundo a CNN. O Latin Times data a captura em 22 de janeiro e cita uma recompensa de US$ 15 milhões oferecida antes da prisão. Na ocasião, o diretor do FBI, Kash Patel, comparou Wedding a El Chapo e a Pablo Escobar.
A investigação reuniu dezenas de presos, segundo a CNN, e a apreensão de drogas, armas, dinheiro, carros, motos, obras de arte e joias.
O que vem agora
Os EUA dizem que vão pedir formalmente à Colômbia a extradição de Benítez. Wedding aguarda preso dois julgamentos, marcados, segundo o Latin Times, para 31 de março e 26 de outubro de 2027.



