Um submarino russo da Frota do Pacífico disparou na quarta-feira (28) um míssil balístico intercontinental Bulava, estando submerso no Mar de Okhotsk, no extremo leste do país. Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, o projétil atingiu o polígono de testes de Chizha, na região de Arkhangelsk, no noroeste.
A embarcação é o Generalissimus Suvorov, da classe Borei-A. Em comunicado publicado no Telegram, a pasta disse que o disparo seguiu o “plano de treino militar” da tripulação e divulgou um vídeo do exercício. Ao final, afirmou: “As ogivas do míssil atingiram com sucesso o polígono de testes no horário previsto”.
O ministério não disse se o míssil levava ogiva nuclear. Segundo o G1, isso seria incomum em testes desse tipo, que costumam usar apenas uma ogiva comum. A emissora informa que o projétil percorreu cerca de 8,3 mil km e cruzou quase todo o território russo antes de cair na área de testes.
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O que é o Bulava e o que ele pode carregar
O RSM-56 Bulava tem capacidade para levar uma ogiva nuclear de focos múltiplos. De acordo com o G1, a carga teria poder de explosão 10 vezes maior que o da bomba Little Boy, lançada pelos Estados Unidos sobre Hiroshima. Um submarino da classe Borei pode levar até 16 mísseis desse tipo.
Desde a criação do Bulava, a Rússia fez mais de 40 lançamentos de teste, segundo o Observador e a CNN Portugal. O último havia ocorrido em 5 de novembro de 2024, a partir do submarino Imperator Alexandr III. Um ano antes desse teste, o próprio Generalissimus Suvorov disparou um Bulava do Mar Branco contra o polígono de Kura, em Kamchatka.
Por que o teste chama atenção na Europa
Chizha fica à beira do Mar Branco, e a fronteira com a Finlândia e a Noruega está a pouco mais de 600 km dali. Na véspera do teste, Vladimir Putin conversou por telefone com o presidente finlandês, Alexander Stubb, e com o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre.
Na conversa, Putin afirmou que uma paz justa e duradoura na Ucrânia “só será possível se forem levados em conta, de maneira plena e incondicional, os interesses legítimos da Federação Russa”. Ele também criticou a “política de confronto” da União Europeia e da Otan, que, segundo ele, prolonga as ações militares entre russos e ucranianos.
O G1 situa o lançamento num período de tensão entre Moscou e a Europa, com a guerra na Ucrânia e incidentes como o ataque de um drone ao aeroporto de Leipzig, na Alemanha. A Otan, aliança militar ocidental, vem se rearmando diante do que chama de ameaça russa. A emissora cita ainda temores de nova escalada da guerra no Irã, depois de a mídia americana relatar que o governo de Donald Trump planejaria retomar ataques amplos ao país.
Outros testes recentes na Europa
No início de outubro, a França testou um míssil balístico nuclear M51.3 no Mar do Norte. O presidente Emmanuel Macron chamou o teste de “mensagem em alto e bom som”.
Na semana passada, a Dinamarca comprou seus primeiros mísseis de precisão de longo alcance. Segundo Copenhague, a compra responde a uma situação de segurança “grave e em deterioração”.



