A gestora de investimentos IG4 está perto de fechar um acordo para assumir o controle da Raízen (RAIZ4). A informação é do Radar Econômico, da revista Veja, que ouviu uma fonte do mercado. Segundo a publicação, o anúncio pode sair em duas a três semanas.
Houve avanço nas conversas nas últimas semanas, mas nada foi formalizado até agora. A IG4 foi procurada e não quis comentar.
Como a IG4 pretende chegar ao controle?
A gestora já havia manifestado interesse em comprar créditos que a Raízen deve a terceiros e convertê-los em ações. Nesse desenho, a IG4 entraria primeiro como credora da companhia. Depois, trocaria a dívida por participação no capital, o que lhe permitiria assumir o controle.
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Hoje, a Raízen é controlada por Cosan e Shell. Ainda segundo a Veja, a IG4 se interessa sobretudo pelas operações de açúcar e etanol, que poderiam ser separadas da distribuição de combustíveis na reorganização da empresa.
Não há informação sobre quanto a IG4 pagaria pelos créditos, qual seria a fatia dela no capital nem o que aconteceria com a participação de Cosan e Shell.

O que prevê o plano de recuperação da Raízen?
A possível entrada de um novo controlador acontece enquanto o plano de recuperação extrajudicial da companhia está sendo implementado. Em fato relevante de 30 de julho, a Raízen informou que a Justiça de São Paulo homologou o plano, ou seja, deu aval formal a ele. Segundo a empresa, o plano teve adesão de 81,6% dos credores financeiros quirografários, aqueles cujos créditos não têm garantia.
De acordo com a companhia, o plano reestrutura cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras, contratadas com bancos ou emitidas nos mercados local e internacional. A Veja, por sua vez, fala em cerca de R$ 65 bilhões. A reportagem não explica a diferença entre os dois números.
Estas são algumas das medidas previstas:
- os credores que escolherem a chamada Opção A terão parte dos créditos convertida em participação na empresa, na forma de units;
- novos títulos de dívida, com garantias, serão emitidos;
- haverá aumento de capital de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões, em dinheiro, pela Shell Brasil e, caso venha a aderir, pela Aguassanta Participações, controlada pela família de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan (CSAN3);
- o plano também contempla reorganizações societárias e venda de ativos, entre outras medidas, com o objetivo de apartar os negócios de distribuição de combustíveis e de energia.
Quando sai o anúncio?
Segundo a Veja, a avaliação da fonte é que as tratativas estão próximas de uma conclusão. As condições finais, inclusive a fatia de cada parte, ainda dependem de um eventual anúncio, que a publicação projeta para daqui a duas a três semanas.



