Terça-feira, 27 de outubro de 2026
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Justiça manda Índia Armelau retirar publicações sobre demissão de eleitores de Lula

Liminar dá 48 horas para a deputada do PL tirar as publicações do ar, sob multa diária de R$ 5 mil. O MPT-RJ também pede R$ 500 mil por dano moral coletivo.

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Resumo rápido

  • Liminar da Justiça do Trabalho proíbe a deputada de incentivar empresários a demitir ou perseguir funcionários por convicção política
  • Publicações devem sair do ar em 48 horas; em caso de descumprimento, multa diária de R$ 5 mil
  • O MPT-RJ pede ainda R$ 500 mil por dano moral coletivo e multa de R$ 100 mil por descumprimento

A Justiça do Trabalho determinou que a deputada estadual Índia Armelau (PL) pare de incentivar empresários a demitir ou perseguir funcionários por causa de suas convicções políticas. Na liminar, o juiz Leonardo Saggese Fonseca deu 48 horas para ela retirar do ar as publicações que motivaram a ação.

A decisão atende em parte a um pedido do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), que entrou com ação civil pública contra a parlamentar nesta terça-feira (27).

O que a liminar determina

A ordem alcança todos os canais em que o conteúdo foi divulgado: sites, redes sociais e aplicativos de mensagens. Se descumprir, a deputada ficará sujeita a multa diária de R$ 5 mil.

Na decisão, o juiz afirmou que, como integrante do Parlamento, a deputada deve respeitar posições políticas distintas e evitar falas capazes de estimular ódio, perseguição ou discriminação.

O que ela publicou

A mensagem foi divulgada depois do segundo turno, no domingo (25), quando Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e foi reeleito. Índia Armelau, que tem cerca de 1 milhão de seguidores, escreveu:

“Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L’. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários.”

O “L” é o gesto associado ao apoio a Lula.

O que o MPT pede na ação

Para o órgão, a mensagem estimula assédio eleitoral e discriminação por convicção política. A procuradora do Trabalho Fernanda Barbosa Diniz afirmou que a prova reunida mostra a deputada “estimulando que empregadores pratiquem assédio eleitoral, com claro intuito de penalizar trabalhadores por terem exercido direito à liberdade do voto e à cidadania”.

Além da proibição e da retirada das publicações, o MPT pede:

  • comunicado da deputada, em até 24 horas após a decisão, informando que empregados podem escolher livremente seus candidatos e partidos, sem represália do patrão;
  • multa de R$ 100 mil se a determinação não for cumprida;
  • R$ 500 mil por dano moral coletivo.

    O Ministério Público sustenta que a imunidade parlamentar não protege manifestações discriminatórias. Segundo o órgão, o dano atinge não só quem poderia ser demitido, mas todos os empregados das empresas e a coletividade, por criar um ambiente de intimidação.

    O artigo do Código Eleitoral citado

    Na ação, o MPT citou o artigo 301 do Código Eleitoral, que classifica como crime eleitoral usar violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar, ou não votar, em determinado candidato ou partido. O órgão recorre a esse dispositivo para argumentar que o dano ultrapassa o indivíduo e atinge um grupo inteiro de trabalhadores.

    A ação tramita na Justiça do Trabalho, e a deputada não foi condenada.

    O que diz a deputada

    Nas redes sociais, Índia Armelau afirmou que não falava em “demissão em massa” e que apoiava a campanha “Não Contrate Quem Odeia Empresários”. Segundo ela, patrões conservadores devem recrutar empregados do mesmo espectro político.

    A CNN Brasil tentou contato com a deputada para mais posicionamento, mas não teve retorno.

    Não foi informado quais dos demais pedidos do MPT-RJ, como o comunicado, a multa de R$ 100 mil e a indenização de R$ 500 mil, já foram analisados pela Justiça. O prazo para a retirada das publicações é de 48 horas.

    Leia também: Justiça manda barcos voltarem a circular entre Barcarena e Belém e levar eleitores de graça · Justiça manda supermercado de Anajás (PA) tirar do ar vídeo de discurso eleitoral

Fontes consultadas

Brasil 247 — MPT processa deputada do PL por incentivar demissão de eleitores de Lula CNN Brasil — MPT processa deputada após ela sugerir demissão de eleitores de Lula O GLOBO — Justiça do Trabalho proíbe deputada Índia Armelau de incentivar demissões de funcionários que votaram em Lula

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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